- 4 de fevereiro de 2026
Como a Polícia do Pará tenta decifrar o sumiço de Ágatha e Allan, que completa um mês
á exatos 30 dias, Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram na zona rural de Bacabal (MA) após saírem para brincar em uma área de mata no quilombo São Sebastião dos Pretos. A investigação policial, desde o início, ultrapassou fronteiras estaduais: equipes especializadas do Pará, incluindo bombeiros e cães farejadores, foram incorporadas à força-tarefa para ampliar a busca nas trilhas densas e nos cursos d’água que margeiam o território, reforçando a cooperação interestadual na tentativa de localizar os irmãos.
Nos primeiros dias, o caso ganhou grande mobilização. Mais de 500 pessoas, entre policiais civis, militares, Corpo de Bombeiros, Exército, Marinha e voluntários, vasculharam cerca de 54 km² de mata, rios e lagos, com uso de drones térmicos e protocolos como o Amber Alert para amplificar o alcance das informações. O Amber Alert (America’s Missing: Bradcast Emergency Response) é um sistema de alerta de emergência, adotado e pelo Ministério da Justiça no Brasil e pela Meta, dona do Instagram e do Facebook, que notifica rapidamente o público sovre desaparecimentos y raptos de crianças e adolescentes.
A principal linha de investigação da Polícia Civil do Maranhão, que comanda o inquérito, sempre manteve como hipótese central que as crianças se perderam na mata depois de entrarem em um atalho para buscar um pé de maracujá, o que foi narrado pelo primo de 8 anos, Anderson Kauã, o único encontrado com vida três dias após o desaparecimento. Vestígios nas proximidades de uma cabana abandonada conhecida como “casa caída” foram confirmados por cães farejadores, e análises de trilhas e objetos corroboraram a trajetória descrita pelo menino, mas não levaram a polícia a encontrá-los.
Ao longo das semanas, a investigação adotou múltiplas frentes: varreduras terrestres, buscas subaquáticas pelo rio Mearim e lacunas de mata fechada, além de uma comissão especial de delegados que conduz entrevistas, análises periciais e coleta de material genético de familiares para possíveis confrontos em bancos de dados, sem provas que indiquem sequestro, crime ou localização concreta dos irmãos.
Entre as linhas exploradas, hipóteses como tráfico de pessoas e avistamentos urbanos surgiram e foram desmentidas pela polícia. Uma denúncia de que as crianças teriam sido vistas em um hotel em São Paulo levou a diligências da Polícia Civil paulista, mas foi integralmente descartada após verificação no local.
A polícia também precisou rebater boatos nas redes sociais que associavam o caso a rituais, lembrando o caso dos meninos emasculados de altamira, no Pará, ou rivalidades familiares, reforçando que nenhuma evidência oficial sustentou tais versões e que a difusão de informações falsas atrapalha o curso das apurações.
Oficialmente, não há até o momento suspeitos ou linha criminal confirmada. A investigação continua aberta em todas as frentes possíveis, e autoridades reforçam a importância de informações verificáveis da população.
O desaparecimento de Ágatha e Allan, duas crianças quilombolas, expôs não apenas as dificuldades de busca em áreas rurais de difícil acesso, mas reacendeu preocupações sobre infraestrutura e proteção de populações periféricas no interior do país.
A participação de forças policiais de outros estados, como o Pará, reflete não só a gravidade percebida do caso, mas também o esforço conjunto para superar desafios geográficos e logísticos à procura de respostas.