• 12 de janeiro de 2026

Com O Agente Secreto, Kleber Mendonça e Wagner Moura, o cinema volta a falar em alto e bom português

Reprodução: divulgação

A vitória brasileira na premiação deste ano no Globo de Ouro, tem gosto de reencontro com a própria vocação: a de contar histórias íntimas, universais, filmadas com o coração exposto e os pés fincados na realidade. Não é apenas um troféu a mais na estante. É um símbolo luminoso de que o cinema nacional aprendeu a ocupar o centro das atenções do mundo, embora, em casa, tenha ainda um bom caminho pela frente.

O nosso cinema já frequentou este salão em outros momentos, mas quase sempre como “zebra”. Agora, 27 anos depois de “Central do Brasil” surpreender brasileiros e estrangeiros, os holofotes voltam a refletir, em verde e amarelo, um país cheio de orgulho, certeza e gratidão.

Wagner foi o primeiro brasileiro premiado na categoria de melhor ator. Em 2016, ele foi indicado como melhor ator em série de drama, por “Narcos”, mas não ganhou. No ano passado, Fernanda Torres foi pioneira ao ser escolhida como melhor atriz em filme de drama. 

O que muda agora é a narrativa. O país que por tanto tempo entrou nas premiações como azarão — simpático, talentoso, mas periférico — passou a ser tratado como favorito. Não pelo esforço do marketing, mas pela consistência artística. “O Agente Secreto” chegou com delicadeza e saiu com autoridade. Conquistou crítica, público e indústria. Virou assunto. Virou aposta. Virou, sobretudo, evidência.

Em um momento de reconstrução cultural, em que o Brasil ainda é palco de turbulências, segregado pelo duelo de opiniões radicais, o cinema brasileiro reaparece como espelho e farol. Espelho porque se olha sem medo, encara seus silêncios, suas dores e afetos, como bem faz o filme de Kleber Mendonça Filho. Farol porque ilumina um caminho possível: o de histórias profundamente locais que se tornam universais justamente por não tentarem ser outra coisa.

A estrada até o Oscar é longa e cheia de curvas. O Brasil já esteve perto antes, já sentiu o gosto e a frustração. Mas desta vez o clima é diferente. Não se fala apenas em “chance”, mas em “campanha sólida”. Não é mais apenas fé, mas expectativa consistente. O azarão aprendeu o jogo, ganhou casca e agora entra em campo com a tranquilidade de quem sabe o próprio valor.

Celebrar essa vitória no Globo de Ouro é celebrar uma virada de chave. É reconhecer o trabalho de artistas, técnicos e produtores que insistiram quando insistir parecia ingenuidade. É lembrar que o cinema brasileiro não pede licença: ele chega, senta à mesa e conversa de igual para igual. Transforma grandes atores em embaixadores da nossa cultura, e no caso de Wagner com a língua afiada pela consciência política.

Se o Oscar vier, será consequência. Se não vier, o recado já foi dado. O Brasil voltou — e voltou para ficar.

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