- 29 de dezembro de 2025
Casal de turistas espancado em Porto de Galinhas afirma que agressões foram motivadas por homofobia
O casal Cleiton Zanatta e Johnny Andrade, espancado em Porto de Galinhas, no último sábado, acredita que o preconceito tenha motivado o comportamento agressivo dos barraqueiros locais. Em entrevista ao GLOBO, nesta segunda-feira, os empresários, que são casados há seis anos, relatam ter escutado pessoas gritarem que ambos eram “veados e tinham mesmo que apanhar” enquanto recebiam socos e chutes de mais de 20 comerciantes.
Segundo Cleiton Zanatta, a agressão ocorreu após o marido e ele se recusarem a pagar um valor quase duas vezes maior do que havia sido acordado inicialmente com um barraqueiro, pelo aluguel de duas cadeiras e um guarda-sol.
— Assim que chegamos na praia, fomos abordados por um homem que ofereceu o aluguel das cadeiras e do guarda-sol por R$ 50. Inicialmente, não demos muita importância, mas ele foi tão insistente que dissemos que, caso ele conseguisse um lugar mais perto do mar, fecharíamos o pacote. No final, na hora de pagar a conta, o homem afirmou que deveríamos pagar R$ 80, porque o preço havia mudado — relembra Cleiton.
O empresário afirma que após tentarem argumentar sobre o valor estar acima do acordado, o homem arremessou uma cadeira contra Johnny, que caiu na areia e recebeu golpes de mais de 20 outros barraqueiros, que estavam próximos ao local.
— Foi muito assustador, eram mais de 20 pessoas vindo para cima de nós dois, com chutes e socos. Nós desconfiamos que tenha sido armado, porque ainda não entendemos como vários barraqueiros que, em tese, estariam ocupados vendendo seus itens, conseguiram se aproximar tão rapidamente — pondera o casal.
Cleiton, que tem mobilidade reduzida, conta que ainda tentou correr para pedir socorro. No entanto, a falta de policiamento no local tornou tudo mais difícil. — Os bombeiros foram os únicos a tentar nos ajudar, mas eram apenas três contra mais de 20 comerciantes — lamenta.
Após a agressão, os turistas registraram um boletim de ocorrência e solicitaram os serviços de uma equipe de advogados do Mato Grosso, local onde vivem.
— Várias pessoas já vieram conversar conosco, alegando que já passaram pela mesma situação. Inclusive, uma das donas do hotel em que estamos hospedados nos disse que um amigo dela, que veio da Alemanha para cá, sofreu uma agressão ainda mais brutal. Ele também era gay, o que nos faz acreditar, ainda mais, que a homofobia possa ter motivado a agressão.
Pronunciamento da prefeitura
A prefeitura de Ipojuca, município onde está localizado Porto de Galinhas, publicou um pronunciamento sobre o caso nas redes sociais. Em nota publicada no perfil do Instagram, a administração municipal classificou o episódio como “grave e incompatível com os valores de respeito, acolhimento e hospitalidade que norteiam o destino”.
Segundo o comunicado, os “órgãos competentes já apuram o ocorrido para identificar os envolvidos e adotar as medidas legais cabíveis”. No entanto, de acordo com as vítimas, nenhum dos dois recebeu algum tipo de suporte das autoridades municipais.