- 4 de dezembro de 2025
Camisa 24: apenas 6 de 20 clubes da Série A usam a numeração em 2025; por quê?
Após a recente polêmica envolvendo as declarações do técnico Abel Braga durante a apresentação no Internacional, que ocorreu no último domingo (30), um debate antigo, profundo e ainda não superado no futebol brasileiro veio à tona novamente. A discussão foca na persistente aversão dos principais clubes do país ao número 24, uma escolha motivada por associações homofóbicas na cultura popular.
Os números coletados escancaram a dimensão deste problema institucionalizado, revelando que a maioria das equipes da Série A do Campeonato Brasileiro evita essa numeração. Clubes de grande expressão, como São Paulo, Flamengo, Corinthians e Vasco, integram o grupo de 14 times que optam por não utilizar a camisa em seus elencos profissionais.
Os seis times que mantêm a numeração 24 destinam-na invariavelmente a atletas da posição de goleiro, quase sempre reservas. Os jogadores que a vestem são Aranha (Palmeiras), Fernando Costa (Bragantino), Gustavo Felix (Fluminense), Leo Linck (Botafogo), Anthoni (Internacional) e Thiago Beltrame (Grêmio), sendo Leo Linck o único que detém a titularidade em seu time.
O tabu se manifesta de forma clara não apenas nos clubes, mas também no contexto da Seleção Brasileira em competições internacionais. Durante a Copa América de 2021, o Brasil foi o único país a não registrar um jogador com o número 24 entre seus convocados oficiais.
Essa decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) resultou em uma ação judicial movida pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, exigindo explicações sobre o critério de numeração. A entidade se defendeu alegando que o volante escalado se encaixava de maneira mais apropriada na camisa 25, resultando no arquivamento do processo.
Um dos episódios mais conhecidos desse preconceito institucional ocorreu com o colombiano Victor Cantillo, que, ao ser apresentado no Corinthians, foi impedido de usar sua habitual 24. A situação foi agravada pela piada de Duílio Monteiro Alves, então diretor, que publicamente descartou o uso do número no clube.