- 12 de abril de 2026
Brasil firma parceria para produção nacional de medicamento oncológico no SUS que pode tratar até 18 tipos de câncer
O governo federal firmou uma parceria para viabilizar a produção 100% nacional do medicamento oncológico pembrolizumabe, conhecido comercialmente como Keytruda, para uso no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa prevê que o imunoterápico, cujo custo na rede privada pode chegar a R$ 27 mil, passe a ser fabricado pelo Instituto Butantan, ampliando o acesso ao tratamento na rede pública.
A medida integra uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e tem como objetivo expandir o uso da imunoterapia, atualmente já aplicada no tratamento de melanoma, para até 18 tipos de câncer. A estratégia também busca fortalecer a indústria farmacêutica nacional por meio da transferência de tecnologia do laboratório Merck Sharp & Dohme para o Butantan.
Com a assinatura do Termo de Compromisso, o projeto entra agora na fase de formalização do contrato de transferência tecnológica entre os parceiros. Na etapa final, o medicamento poderá ser adquirido em maior escala pelo SUS, permitindo sua oferta ampliada aos pacientes.
O pembrolizumabe atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas. Além do melanoma avançado, o uso da terapia está em avaliação para outros tipos de câncer, como os de mama, pulmão, esôfago e colo do útero.
A PDP terá duração estimada de dez anos, período em que o Instituto Butantan deverá consolidar a produção nacional do fármaco. Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa utiliza o poder de compra do SUS para incentivar a produção local e reduzir a dependência de importações.
Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a ampliação do acesso a tecnologias inovadoras é fundamental para reduzir desigualdades no atendimento. Já a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, Fernanda De Negri, ressaltou que a política fortalece a capacidade produtiva do país no setor.
Além da parceria, o governo também anunciou a criação de uma Encomenda Tecnológica (ETEC) voltada ao desenvolvimento de soluções inéditas para doenças que atingem populações vulneráveis, como hanseníase, tuberculose, doença de Chagas, leishmaniose e dengue. A iniciativa contará com apoio técnico da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), enquanto o Ministério da Saúde ficará responsável pela coordenação estratégica.