• 19 de fevereiro de 2026

Bolsa Família não retira mulheres do trabalho, diz estudo. Em Belém, benefício coincide com avanço no emprego.

Um estudo recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), destacado em reportagem da revista Fórum, concluiu que o Programa Bolsa Família não reduz a participação das mulheres no mercado de trabalho, exceto no caso específico de mães com crianças de até seis anos. Trata-se de um efeito associado às responsabilidades de cuidado familiar, e não relacionado ao benefício. Isso derruba uma narrativa recorrente de que o programa “tira as mulheres do emprego”, realçando que a renda cidadã e a proteção social não são barreiras à inserção produtiva feminina.

No Pará, o peso social do programa é significativo. Em fevereiro de 2026, 1.260.675 famílias em todos os 144 municípios estavam contempladas com o Bolsa Família, com valor médio de benefício próximo a R$ 720 por família. Trata-se de um suporte importante para famílias com mães chefes de casa. Considerando os 144 municípios, Belém lidera no número de famílias atendidas no estado, com cerca de 154 mil lares beneficiados, segundo dados de novembro de 2025 do CadÚnico disponíveis no Portal GovBr.

Trabalho, renda e gênero

Em todo o Brasil, as mulheres representam mais da metade dos beneficiários do programa e são maioria entre os chefes de família atendidos. Mais de 84% das famílias do Bolsa Família são chefiadas por mulheres. Essa prevalência se traduz na participação feminina tanto nas dinâmicas domésticas quanto no mercado formal. 

Dados do Portal Transparência indicam que as mulheres preencheram 57% das vagas líquidas de emprego ocupadas por beneficiários do Bolsa Família em 2024. Ou seja, elas responderam por mais de 728 mil das 1,27 milhão de vagas geradas para esse grupo naquele ano.

Aqui no Pará, de acordo com a Fapespa (Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará), a tendência nacional de crescimento do emprego feminino também se observa, impulsionada por programas públicos e investimentos em qualificação profissional. Por exemplo, iniciativas regionais como programas de qualificação e de inserção no primeiro emprego vêm ampliando oportunidades para mulheres, sobretudo jovens, em setores formais de trabalho, como relata a Agência Pará.

Trampolim não

O estudo do FMI citado pela Fórum ressalta que o Bolsa Família não “puxa” mulheres para fora da força de trabalho, contrariando noções simplistas sobre dependência de benefícios. A exceção observada, mulheres com crianças muito pequenas, está mais ligada à ausência de rede de cuidados públicos amplos, como creches e serviços de apoio, do que ao efeito do programa em si.

Essa constatação dialoga com outras pesquisas nacionais, citadas pelo Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O Ministério mostra que políticas de transferência de renda podem ampliar a inserção das mães no mercado formal, inclusive aumentando em mais de 7 pontos percentuais a chance de emprego formal para mulheres com filhos, uma vez que lhes fornecem algum nível de segurança econômica para buscar trabalho.

No Pará de hoje, o Bolsa Família atua como um colchão econômico e social que não freia, e muitas vezes até acelera, a trajetória de mulheres rumo ao trabalho e à autonomia financeira. Em Belém, o estímulo do Bolsa Família muitas vezes traduz histórias de mães que sustentam duas realidades ao mesmo tempo: cuidar de filhos e lutar por emprego formal.

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