• 2 de abril de 2026

Belém pode ter até 80 mil crianças e jovens com autismo. Conheça os avanços e desafios do TEA no Pará.

Reprodução: Mácio Ferreira/Agência Belém

O aumento global de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) se reflete no Pará. Nos últimos dez anos, o estado avançou na identificação precoce, em políticas públicas e na ampliação do atendimento. Ainda assim, o acesso permanece desigual, sobretudo fora de Belém.

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta comunicação, interação social e comportamento, com manifestações variadas. Esse caráter amplo exige acompanhamento contínuo e serviços especializados, um desafio para o sistema público.

Dados do Centers for Disease Control and Prevention indicam que cerca de 1 em cada 31 crianças está no espectro. Aplicando essa proporção, especialistas estimam que o Pará, com 8,7 milhões de habitantes, tenha entre 200 mil e 280 mil pessoas com TEA. Na Região Metropolitana de Belém, o número pode chegar de 60 mil a 80 mil, embora parte significativa ainda não tenha diagnóstico formal, evidenciando um grave problema de subnotificação.

Essa subnotificação é causada por fatores como a escassez de especialistas, diagnósticos tardios e dificuldades de acesso à rede pública. Na prática, milhares de pessoas permanecem fora das estatísticas e sem acompanhamento adequado.

Políticas públicas

Na última década, o Pará consolidou políticas alinhadas à legislação federal e também avançou em normas estaduais que ampliaram direitos, como prioridade no atendimento, inclusão escolar e emissão de documentos específicos para pessoas com TEA.

Nesse contexto, a atuação de lideranças e ativistas foi fundamental. Entre os nomes de destaque está Nay Barbalho, atualmente vereadora em Belém, reconhecida pela defesa de políticas públicas voltadas ao autismo e pela articulação de iniciativas que ampliaram a visibilidade do tema no estado.

O governo estadual também ampliou a rede de atendimento com a criação de estruturas especializadas. Um dos principais exemplos é o Cetea, considerado referência no atendimento multidisciplinar, com serviços que envolvem diagnóstico, terapias e suporte às famílias.

Outro avanço importante foi a implantação dos Núcleos de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea), que começaram a ser levados para além da capital. Esses núcleos foram instalados em municípios estratégicos, como Tucuruí, ampliando o acesso ao atendimento especializado e reduzindo a necessidade de deslocamento até Belém.

Serviços inovadores

A capital paraense também passou a investir em políticas de inclusão. Entre os exemplos estão espaços adaptados em locais públicos como o Mangueirão, sessões de cinema adaptadas, além da Carteira de Identificação da Pessoa com TEA, que garante prioridade em atendimentos.

Essas iniciativas, somadas a campanhas de conscientização e capacitação profissional, ajudaram a tornar Belém uma das referências da Região Norte no atendimento ao autismo.

Apesar dos avanços, o acesso ainda é desigual. No interior, faltam especialistas e serviços contínuos. Mesmo na capital, há filas para diagnóstico e início de terapias pelo SUS.

Esse cenário impacta diretamente as famílias, especialmente as mães, que frequentemente assumem sozinhas o cuidado integral dos filhos, enfrentando sobrecarga emocional e dificuldades financeiras.

Atendimento

Estimativas indicam que entre 15% e 25% das pessoas com TEA no Pará recebem acompanhamento regular. Em Belém, esse índice pode chegar a 30%, mas ainda está longe do ideal.

Em Belém, o atendimento pode ser iniciado nas Unidades Básicas de Saúde, com encaminhamento para serviços especializados como os Centros Especializados em Reabilitação, o Cetea e outros equipamentos da rede pública e conveniada. Os núcleos Natea também fazem parte dessa estrutura de apoio.

Apesar das limitações, essa rede representa a principal porta de entrada para diagnóstico e acompanhamento no estado. O Pará avançou na última década, ampliando direitos e serviços. No entanto, o desafio agora é garantir que esses avanços cheguem a todos, especialmente às milhares de pessoas que ainda aguardam diagnóstico e acesso a um cuidado adequado.

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