• 27 de novembro de 2025

Após golpe, militares de Guiné-Bissau nomeiam general como presidente interino

Foto: PATRICK MEINHARDT / AFP

Os militares de Guiné-Bissau anunciaram nesta quinta-feira a nomeação de um general como presidente interino do país, um dia após um golpe em que detiveram o presidente em fim de mandato e interromperam o processo eleitoral em curso. A nomeação do general Horta N’Tam como presidente e chefe da junta golpista é por um ano, detalharam os militares em uma coletiva de imprensa em Bissau. O golpe junta-se a outros ocorridos desde 2020 na região, nomeadamente nos vizinhos Mali, Burkina Faso, Níger e Guiné.

— Acabo de ser investido para liderar o Alto Comando — disse o general Horta N’Tam, até agora chefe do Estado-Maior do Exército de terra, pouco depois de prestar juramento no quartel-general das Forças Armadas, constataram jornalistas da AFP.

— Guiné-Bissau atravessa um período muito difícil da sua história. As medidas que se impõem são urgentes e importantes, e requerem a participação de todos — declarou o novo presidente desta transição.

O golpe de quarta-feira ocorreu na véspera da esperada publicação dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas, realizadas no último domingo.

Tanto o presidente em fim de mandato, Umaro Sissoco Embaló, como o opositor Fernando Dias de Costa reivindicavam a vitória.

Instabilidade, pobreza e tráfico de drogas

Na sua primeira comunicação na quarta-feira, os militares anunciaram que tinham tomado “o controle total do país”, bem como a detenção de Embaló e a suspensão do processo eleitoral em curso.

— O que nos levou a fazer isso (o golpe) foi o desejo de garantir a segurança a nível nacional e restabelecer a ordem — disse na quarta-feira à imprensa o general Denis N’Canha, chefe do gabinete militar da presidência.

O general argumentou que os serviços de inteligência detectaram “um plano destinado a desestabilizar o país, com a implicação dos barões nacionais da droga”. Segundo ele, esse plano incluía a introdução de armas no território “para alterar a ordem constitucional”.

Guiné-Bissau, um país empobrecido de apenas 2,2 milhões de habitantes, sofre problemas de corrupção e é conhecida por ser uma importante plataforma do tráfico de drogas entre América do Sul e Europa, um problema favorecido por sua instabilidade política crônica.

O presidente Embaló, detido na quarta-feira pelos militares, estava sendo “corretamente” tratado, segundo uma fonte militar.

Também foi detido na quarta-feira, segundo duas fontes próximas, o líder opositor Domingos Simões Pereira, a quem o Supremo Tribunal não permitiu concorrer como candidato presidencial.

Este país lusófono da África Ocidental sofreu quatro golpes de Estado desde a sua independência de Portugal em 1974, além de uma série de tentativas de golpe.

Nesta quinta-feira, podiam ser vistos numerosos postos de controle militar nas grandes avenidas da capital, Bissau.

Os soldados verificavam de maneira sistemática os veículos e vigiavam atentamente toda a zona situada ao redor do palácio presidencial, onde a população foi tomada pelo pânico na véspera ao ouvir disparos, no início do golpe.

A circulação era muito reduzida, e a maioria das lojas estava fechada.

Com informações da Agência O globo

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