• 19 de fevereiro de 2026

Após 4 mortes por doença de Chagas, operação interdita ponto de venda de açaí em Ananindeua

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) interditou, nesta quinta-feira (19), um ponto de venda de açaí, na Cidade Nova, em Ananindeua, durante operação motivada pelo surto de Doença de Chagas no município. O estabelecimento, localizado na Cidade Nova IV, foi fechado por não atender às normas sanitárias e teve 38 litros de açaí e 13 litros de bacaba descartados.

A ação é coordenada pelo Núcleo de Defesa do Consumidor (Nucon) e pelas Promotorias de Justiça de Ananindeua, com apoio da Vigilância Sanitária e da Secretaria Municipal de Saúde. Segundo a gestão municipal, o surto já soma mais de 40 casos confirmados e quatro mortes, desde janeiro.

De acordo com a promotora Érica Almeida, coordenadora do Nucon, o local interditado produzia cerca de 90 litros de açaí por dia, mas não possuía licença sanitária nem cumpria exigências básicas para a manipulação segura do fruto. Entre as irregularidades estavam a ausência de termômetro para aferição da temperatura da água utilizada no branqueamento, a falta de peneiramento e o não uso de uniforme por parte do manipulador.

Sem o controle da temperatura adequada, não é possível garantir a eficácia do branqueamento, etapa essencial para reduzir o risco de transmissão oral da Doença de Chagas. O estabelecimento só poderá retomar as atividades após regularizar a situação junto aos órgãos competentes.

Fiscalização ampliada

]A operação deve alcançar cerca de 20 pontos de venda nesta semana. A seleção dos locais foi feita pela Vigilância Sanitária, priorizando áreas com histórico de irregularidades e situadas na região onde o surto foi identificado.

Segundo o órgão, a atuação ocorre de forma integrada há cerca de três anos em mais de 17 municípios paraenses, estratégia que já contribuiu para a redução de mais de 200 casos da doença no Estado. Em Ananindeua, esta é a primeira ação específica do Ministério Público após o anúncio do surto, embora a prefeitura já viesse adotando providências desde os primeiros registros.

As normas para comercialização do açaí foram estabelecidas por decreto em 2012, após outro surto da doença. À época, o Ministério da Saúde sugeriu a pasteurização do produto, mas a proposta não foi aceita pela população. Estudos conduzidos pela Universidade Federal do Pará apontaram o branqueamento como alternativa segura, preservando as características tradicionais do consumo.

Atualmente, o procedimento é prioridade nas fiscalizações. Estabelecimentos que não realizarem o processo corretamente podem ser interditados.

Ananindeua possui aproximadamente 1.500 pontos de venda de açaí. O MPPA destaca que não executa diretamente a fiscalização sanitária, mas atua como fiscal da lei, acompanhando e orientando os órgãos responsáveis pelas medidas administrativas.

*Com informações de O Liberal.

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