- 30 de abril de 2026
Morre Dona Déa, matriarca da família Maiorana e uma das mulheres mais importantes da história do Pará
Belém ficou um pouco mais silenciosa com a notícia da morte de Lucidéa Batista Maiorana, a Dona Déa, matriarca da família Maiorana. Ao longo de décadas, seu nome raramente apareceu nas manchetes dos veículos que ajudou a construir. Ainda assim, sua presença foi constante nos bastidores de um dos maiores grupos de comunicação da Amazônia, exercendo uma influência marcada pela discrição e pela firmeza.
Viúva do jornalista e empresário Romulo Maiorana, fundador das Organizações Romulo Maiorana, Dona Déa tornou-se, após a morte do marido, uma figura central na continuidade de um projeto empresarial que atravessou gerações e ajudou a moldar a história da comunicação no Norte do Brasil.
Dona Déa nasceu em Monte Alegre, no oeste do Pará, em 10 de maio de 1934. A infância foi marcada por um percurso incomum: até os 15 anos viveu em um orfanato administrado por freiras no município de Benevides. Mais tarde, ao casar-se com Romulo Maiorana, um pernambucano de origem italiana que se radicou em Belém na década de 1950, ela passaria a integrar a trajetória de formação de um dos mais importantes conglomerados de mídia da região.
O casal teve sete filhos: Rômulo Maiorana Júnior, Ronaldo, Rosana, Ângela, Rosângela, Roberta e Rosemary. Assim se formou a família que hoje já se estende por netos e bisnetos, na terceira e quarta gerações. Após a morte de Romulo Maiorana, em 23 de abril de 1986, foi Dona Déa quem assumiu papel decisivo na preservação da unidade familiar e na continuidade das empresas.
Naquele momento de transição, sua presença tornou-se ponto de estabilidade para o grupo. Ao lado dos filhos, participou da condução das Organizações Romulo Maiorana, hoje conhecidas como Grupo Liberal, um dos maiores sistemas de comunicação do Norte do país.
O conglomerado reúne veículos como os jornais O Liberal e Amazônia, a TV Liberal (afiliada da Rede Globo), o portal OLiberal.com, além das rádios Liberal AM e FM, emissoras no interior do estado e plataformas digitais.
Responsabilidade social
A morte de Dona Déa encerra um capítulo importante da história empresarial e jornalística do Pará. Em um ambiente tradicionalmente dominado por lideranças masculinas, sua trajetória revelou outra forma de influência, exercida sem alarde, mas com presença constante.
Foi a figura que preservou a memória do fundador, ajudou a manter a família unida e garantiu continuidade a um projeto nascido do jornalismo. E, assim como viveu, despede-se agora com discrição. Deixando nos bastidores de uma grande história a marca firme de quem soube sustentar, em silêncio, a travessia de um legado coletivo.