• 27 de abril de 2026

Vítima de transfobia registra ocorrência contra Cássia Kis após episódio em shopping no Rio

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A atriz Cássia Kis será investigada por transfobia após episódio ocorrido na última sexta-feira em um banheiro feminino de um shopping na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A auxiliar de restaurante Roberta Santana registrou uma queixa-crime nesta segunda-feira.

De acordo com o relato da vítima, que é uma mulher trans, a atriz teria questionado sua presença no banheiro feminino e feito comentários considerados ofensivos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a mulher afirma que estava sendo impedida de usar o espaço, apesar de possuir documentação feminina.

– Estou sofrendo transfobia aqui no shopping. Ela está dizendo que eu não posso estar aqui — diz a vítima na gravação.

Ainda segundo o relato, mesmo após entrar em uma cabine, a mulher continuou ouvindo comentários depreciativos. Ao sair, afirma que a atriz teria seguido questionando sua presença no banheiro, inclusive com a participação de uma funcionária do local.

O episódio foi parcialmente registrado em vídeo, o que ampliou a repercussão nas redes sociais. Até o momento, Cássia Kis não se manifestou publicamente sobre as acusações.

Roberta Santana, de 25 anos, acusa a atriz Cassia Kis de transfobia — Foto: Reprodução Redes Sociais
Roberta Santana, de 25 anos, acusa a atriz Cassia Kis de transfobia — Foto: Reprodução Redes Sociais

Queixa-crime

Após a exposição do caso, a vítima decidiu formalizar a denúncia. A queixa-crime foi registrada na na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) com base na legislação que equipara a transfobia ao crime de racismo no Brasil, o que pode resultar em pena de um a três anos de prisão, além de multa.

Roberta foi acompanhada pela ativista e vereadora Benny Briolly, primeira mulher trans eleita e reeleita no estado do Rio de Janeiro, durante o registro da ocorrência. A parlamentar afirma que disponibilizou suporte jurídico e psicológico à vítima e também acionou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Em nota, a vereadora destacou que situações como essa “não podem ser naturalizadas” e “representam uma afronta direta à dignidade humana”. “O que aconteceu não é um caso isolado, é reflexo de uma estrutura que ainda insiste em desumanizar corpos trans. Vamos responsabilizar todos os envolvidos e garantir que casos como esse não se repitam”, afirmou.

A atriz já esteve envolvida anteriormente em controvérsias relacionadas a declarações sobre a população LGBTQIA+. Em 2025, uma das ações judiciais por falas consideradas homofóbicas foi arquivada sem julgamento de mérito, mas outros processos seguem em andamento.

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, as envolvidas prestarão depoimento e eventuais testemunhas serão ouvidas. O órgão também informou ao GLOBO que agentes buscam por imagens de câmeras de segurança e realizam outras diligências para apurar os fatos.

(com informações da Agência O Globo)

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