• 12 de abril de 2026

Após hiato de 13 anos, Kid Abelha se reúne para turnê em arenas no Brasil; saiba como comprar ingressos

Foto: Divulgação

Sim, após 13 anos, o Kid Abelha voltará — assim como os companheiros de geração Titãs, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso (os dois primeiros, com reuniões de seus integrantes originais) — para fazer uma turnê por arenas do Brasil. Um movimento que está despertando muitas memórias na cantora Paula Toller, 63, que andou dando uma espiada na pesquisa de fotos da banda, a ser usada na cenografia montada por Gringo Cardia. De repente, ela pôde se (re)ver com todos os cortes de cabelo que já teve em 44 anos de carreira.

— Tem uns de que a gente se arrepende. Mas é muito divertido, porque, entre erros e acertos, a gente viveu a nossa época. No primeiro show no Circo Voador, fiz um cabelo horroroso — confessa, entre boas memórias dos seus visuais. — Fiz o Rock in Rio (em 1985) com uma roupa da Cláudia Kopke e da Emília Duncan, que tinham uma marca (a Transfigura), um sapato amarelo da Mr. Wonderful… e brincos de aranha! Paula promete uma coisa “bem brasileira e luxuosa” para Eu Tive um Sonho, a turnê que começa no Rio, dia 12 de junho, na Farmasi Arena. Ela segue dia 27 para São Paulo (Allianz Parque), passa em julho por Belo Horizonte (dia 4, Arena MRV), Salvador ( dia 11, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova) e Brasília (Arena BRB Mané Garrincha no dia 25), em agosto pelo Recife (dia 8 no Classic Hall) e por Fortaleza (Centro de Formação Olímpica no dia 22), em 26 de setembro em para Porto Alegre (Beira Rio), e termina em outubro, com shows em Curitiba (no dia 10 na Pedreira Paulo Leminski) e Florianópolis (na Arena Opus, no dia 17). A venda de ingressos começa nesta segunda-feira (13), às 10h online (www.ticketmaster.com.br) e às 11h nas bilheterias oficiais.

Com direção musical de Liminha (que pilotou os primeiros LPs da banda e os instigou a voltar a convite da produtora Live Nation), a turnê reúne a formação mais longeva do Kid Abelha, com Paula Toller, George Israel (sax, violão e bandolim) e Bruno Fortunato (guitarra). Eles serão acompanhados por Gustavo Camardella (guitarra, violão e vocais), Adal Fonseca (bateria), Pedro Dias (baixo e vocais) e Gê Fonseca (teclados e vocais), além de um naipe de sopros.

Nos primeiros ensaios, feitos sob sigilo no estúdio Nas Nuvens, de Liminha (onde gravaram seu segundo álbum, “Educação sentimental”, de 1985), eles sentiram o clima dessa “volta sem ansiedade”, segundo George, de 65 anos.

— Tem o pessoal da época que tem saudades e o que tem aquela espécie de saudade do que não viveu. Muita gente na internet que fica tocando em casa as músicas antigas — observa Paula. — Eu via muita curiosidade pelo Kid nas pessoas que iam aos meus shows solo. E aí veio também o pessoal de vários estilos, pedindo para gravar nossas músicas. O João Gomes cantando “Nada por mim”, a Duda Beat e o Jão com “Como eu quero”… não sabia de nada disso e fiquei super feliz. Quando o Liminha sugeriu que voltássemos, demorei muito a decidir porque a gente nunca fez arena, mas achei que ia ser legal por causa dessa garotada.

‘Não vai voltar?’

George conta que muita gente vinha falar com ele que o primeiro show da vida foi do Kid Abelha, “e o primeiro disco que comprou também foi nosso”.

— De uns três, quatro anos para cá, começou essa coisa de “e aí, não vai voltar?” Eu falava: “Cara, como diz o grande filósofo Justin Bieber, never say never (nunca diga nunca), mas eu acho muito improvável.” E aí teve um cara que falou: “Você já reparou que isso é uma sacanagem com os fãs? Tem gente que nunca viu vocês, que não era nascido para ir aos shows e que conhece as músicas!”.

Ao falar dos jovens que hoje curtem o Kid Abelha, Paula Toller volta à juventude da banda, que estourou com os primeiros compactos e o LP de estreia, “Seu espião” (1984).

— Era uma geração que estava vivendo mudanças na política do Brasil, tinha toda uma esperança de democracia. A gente tinha a mesma idade do público e era público das outras bandas. Um dia, a gente estava no Circo Voador, assistindo um show; no outro dia, estava fazendo — recorda-se. — Era tudo considerado meio ruim, não era aquela coisa pomposa de que os críticos gostavam. Mas foi todo mundo ocupando seu espaço, foi uma geração muito bacana. E o legal é que cada banda era diferente da outra, independentemente de quem era melhor ou pior.

Paula lembrar que era uma época em que ainda não havia MTV no Brasil.

— Não se falava videoclipe, nada disso. Era musical do Fantástico, produzido pelo programa. Como a gente fez sucesso muito rápido, tivemos vários: os de “Como eu quero”, “Os outros”, “Lágrimas de chuva”… aos poucos fui notando que havia uma vontade de me colocar naqueles vídeos como uma heroína romântica, sofredora. No de “Os outros”, isso é mais flagrante. Ao ponto de o André Midani (presidente da gravadora WEA), chegar e falar: “Paula, isso não pode ir mais, isso não pode!” (risos) — conta ela, que não via o Kid como uma banda pop. — Algumas bandas faziam um rock mais reggae; outros, no nosso caso, mais pop; e algumas até talvez mais folk. Mas eram bandas de rock. Tinha guitarra, era rock. Não havia essa diferença. Depois é que se foi colocando tudo nas prateleiras.

‘Banho de loja’

Kid Abelha em 1984, com Bruno Fortunato, Paula Toller, George Israel e Leoni — então principal compositor da banda, que saiu em 1986 após uma briga nos bastidores de um show. “É complicada essa volta, mais por razões pessoais do que musicais”, diz Leoni, indenizado pela ex-Paula em 2017 e processado por ela em 2018 — Foto: Divulgação
Kid Abelha em 1984, com Bruno Fortunato, Paula Toller, George Israel e Leoni — então principal compositor da banda, que saiu em 1986 após uma briga nos bastidores de um show. “É complicada essa volta, mais por razões pessoais do que musicais”, diz Leoni, indenizado pela ex-Paula em 2017 e processado por ela em 2018 — Foto: Divulgação

Um dia, quando Paula contou, o Kid tinha acumulado 18 hits em sequência.

— Quando você chega no 15, você acha que vai ser para sempre, você é jovem, ninguém te conta nada. Nessa hora, eu me lembro do Erasmo (Carlos) quando ele falava da Jovem Guarda. Ele achava que ia ser para sempre. Mas a música muda, o mundo muda, você vai ficando mais velho e vêm os mais novos. Os anos 1990 tiveram esse impacto — diz ela. — Tive uma crise muito séria de falta de ideias, de criatividade para letra, fiquei muito travada. Aos poucos, fui percebendo que não adiantava você ficar forçando uma barra, e coloquei a composição na minha vida normal. Se estava num vestiário, e a mulher estava falando um troço que me chamava a atenção, que gritava, eu já anotava.

Um sucesso inesperado em 1994 com o CD “Meio desligado” (um acústico que não foi MTV) e logo o Kid Abelha estavam emplacando hits anos 1990 afora.

— O rádio deu tudo que a gente tem de repertório, de patrimônio, de reconhecimento. No começo, tinham umas pessoas lá de São Paulo que falavam que a gente era banda de FM. Isso era um xingamento. Depois, a gente até passou para o AM com músicas tipo “Como eu quero”. Alguns anos depois, todo mundo queria ser banda de FM — diverte-se Paula.

Nos anos 2000, a banda teve mais uma reviravolta com o “Acústico MTV” (de 2002), em que reembalou seus hits e ainda criou outro: a releitura reggae de “Na rua, na chuva, na fazenda”, de Hyldon.

— Aquele disco vendeu 2 milhões de cópias, e durante uns cinco anos. Na sequência, a gente fez mais um de inéditas, o “Pega vida” (2005), e depois a Paula tinha um contrato para fazer mais um disco dela. A gente ficou meio assim: não acabou, mas não tinha hora para voltar — conta George, lembrando que a banda voltaria em 2012 para um “Multishow ao vivo: Kid Abelha 30 anos”. — Depois disso, realmente fechou um ciclo, tanto eu quanto a Paula percebemos que a gente tinha que tocar nossas vidas, fazer nossos projetos.

Cuidando dos pais

A turnê traz de volta a convivência com Bruno Fortunato, 69, que George considera “um cara hiper meticuloso com os timbres e os arranjos, um guitarrista muito diferenciado, tipo um João Gilberto do pop rock”. Os últimos 13 anos, ele passou afastado dos palcos, tocando guitarra em casa e gravando com amigos e cuidando dos pais idosos. Mais low-profile dos Kids, mesmo ele acabou sendo alvo dos que perguntavam quando é que a banda ia voltar. Desde que a turnê foi acertada, Bruno cuida de adaptar seu equipamento às novas exigências e elaborar arranjos.

— Tem uma geração de músicos muito novinha que me deixa espantado, porque eles gostam do nosso primeiro disco, que é bem datado, super anos 80. Eles acham aquilo legal para caramba — surpreende-se o guitarrista.

Para Eu Tive um Sonho, segundo Paula Toller, o Kid deu “um banho de loja” nas músicas — serão 30, ao menos.

— É por causa da escala do negócio, de estádio. Mas a gente não está improvisando, apenas limpando as músicas na essência. Tinha umas coisas meio loucas, muitas canções de cinco minutos, estamos revendo tudo isso — explica.

E para quem tinha sonhos de ver o Kid Abelha voltando com Leoni (baixista e compositor principal dos dois primeiros LPs da banda)…

— Paula, George e Bruno é o que ficou, o que evoluiu, o que passou por altos e baixos e soube reaparecer, renascer. É isso também que a gente está celebrando nessa turnê.

(com informações da Agência O Globo)

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