• 1 de abril de 2026

EJA enfrenta encolhimento de matrículas em Belém, em meio à perda de  estudantes adultos em todo o país

Reprodução/Ag. Pará

Em Belém, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), voltada a quem não concluiu o ensino fundamental ou médio, reflete na ponta a tendência nacional de retração dessa modalidade de ensino. Dados nacionais do Censo Escolar 2024, coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mostram que o número de matrículas na EJA no Brasil caiu para cerca de 2,4 milhões de estudantes em 2024, o menor patamar da última década, com redução de mais de 20% desde 2020. 

Essa queda também é percebida na capital paraense. Embora dados municipais específicos por modalidade ainda não tenham sido totalmente divulgados, os registros públicos de matrículas da educação básica em Belém indicam que, de modo geral, o acesso às etapas tradicionais vêm sofrendo variações e que turmas de EJA representam parcela menor do total. As estatísticas municipais disponíveis apontam para um movimento de perda de matrículas nas séries finais e total da educação básica, contexto que se replica na EJA.

No Brasil, a maior parte dos alunos da modalidade tem menos de 40 anos, e um contingente significativo é formado por jovens adultos que, por motivos como trabalho ou responsabilidades familiares, abandonaram a escola regular e buscam na EJA uma segunda chance. Esse padrão socioeconômico de evasão é um fator de pressão também na realidade belenense, onde estudantes enfrentam desafios diários de deslocamento urbano, trabalho informal e cuidados familiares que dificultam a permanência nas salas de aula, atesta o IBGE.

Especialistas educacionais consultados pelo IBGE alertam que a simples oferta de vagas não é suficiente para reverter a crise da EJA. A modalidade necessita de currículos contextualizados, flexibilidade de horários e integração com políticas de qualificação profissional que dialoguem com o mercado de trabalho local e com as trajetórias econômicas de quem já vive a vida adulta. Sem isso, a queda de matrículas tende a persistir, reduzindo ainda mais a participação de alunos adultos que já convivem com alto índice de analfabetismo funcional no Brasil: cerca de 29% entre 15 e 64 anos em 2024. Isso compromete sua capacidade de utilizar leitura e escrita no cotidiano.

Além disso, oportunidades alternativas de certificação como o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) são opções que muitos belenenses buscam como rota para obter certificados de conclusão, muitas vezes substituindo a EJA tradicional.

Em Belém, onde o ritmo urbano e as demandas socioeconômicas impõem desafios para quem busca retomar os estudos, a queda da EJA revela um problema estrutural. A educação não consegue acompanhar as trajetórias de vida de jovens e adultos que precisam conciliar trabalho, renda e cuidados familiares, fenômeno observado em capitais com contextos sociais semelhantes. 

A manutenção de políticas públicas robustas, somada a estratégias de proximidade com as comunidades, como turmas descentralizadas, apoio pedagógico e integração com serviços sociais, pode ser o diferencial que impede a educação de continuar distante de quem mais precisa dela.

A luta pela conclusão da educação básica em Belém vai muito além da estatística. É um espelho das desigualdades urbanas e da necessidade de políticas educacionais que considerem a vida real de quem, muitas vezes, teve que interromper os estudos por pura falta de oportunidades.

Relacionadas

Assalto a joalheria no Shopping Pátio Belém mobiliza polícia; suspeitos fugiram de moto

Assalto a joalheria no Shopping Pátio Belém mobiliza polícia;…

Um assalto foi registrado na tarde desta quarta-feira (1º) em uma joalheria localizada no Shopping Pátio Belém, na capital paraense. De…
Fluminense tem retorno de Cano após cinco meses; atacante encara o Corinthians

Fluminense tem retorno de Cano após cinco meses; atacante…

Germán Cano, enfim, está de volta. Após mais de cinco meses longe dos gramados, o centroavante argentino de 38 anos voltou…
MPPA instaura procedimento para investigar agressão em abordagem de Guardas Municipais em Belém

MPPA instaura procedimento para investigar agressão em abordagem de…

O Ministério Público do Estado do Pará instaurou um Procedimento Administrativo para acompanhar e fiscalizar as providências adotadas após uma abordagem…