• 25 de março de 2026

“O Pará não é a lata de lixo do Brasil”: o grito de Gueiros que a série Emergência Radioativa não mostrou

“O Pará não é a lata de lixo do Brasil.” A frase, disparada sem rodeios por Hélio Gueiros, voltou a ecoar quase quatro décadas depois, puxada pela repercussão da série Emergência Radioativa, em cartaz no streaming. Ao revisitar o acidente radiológico de Goiânia, a produção reacende memórias de uma crise que expôs o despreparo institucional diante de um desastre sem precedentes. Mas, embora cuidadosa e potente, a narrativa deixa à margem um episódio emblemático: a reação peremptória do então governador paraense diante da tentativa de envio dos rejeitos nucleares de Goiânia para a Serra do Cachimbo, no Pará. A abordagem é muito distante e desperdiça o “filé”, como diria o próprio Gueiros.

Naquele momento, em meio ao pânico e à desorganização que marcaram os bastidores do acidente, autoridades buscavam soluções rápidas, ainda que controversas, para o destino do material contaminado. A articulação envolvendo o governo goiano e a Comissão Nacional de Energia Nuclear chegou a cogitar o Pará como destino. Foi quando Gueiros “soltou os cachorros”, barrando a operação com uma frase que atravessou o tempo e se tornou símbolo de resistência política e defesa regional.

A série acerta ao reconstruir o ambiente de desinformação e medo que tomou conta de Goiânia, revelando uma sucessão de falhas que agravaram a tragédia. Do abandono do equipamento à comunicação truncada com a população, o que se vê é um retrato duro de negligência. Ainda assim, ao tratar apenas de passagem alguns episódios como o embate federativo envolvendo o Pará, perde-se a oportunidade de aprofundar o alcance político da crise.

O elenco entrega atuações sólidas, equilibrando emoção e sobriedade, enquanto a direção de arte merece aplausos pela recriação minuciosa da atmosfera dos anos 1980. Há um cuidado evidente em não transformar a dor em espetáculo, o que confere dignidade à narrativa. Por outro lado, o comportamento hesitante de algumas autoridades é retratado sem o rigor crítico que certos momentos históricos exigem.

Em contraste, emergem figuras anônimas que enfrentaram o invisível com coragem, incluindo médicos, bombeiros, técnicos, moradores, os verdadeiros heróis de uma história marcada por perdas irreparáveis. As vítimas, por sua vez, permanecem como lembrança eterna de um país que falhou em protegê-las.

A série se propôs a reconstituir a tragédia, mas também trouxe à tona o peso de decisões, omissões e raros gestos de firmeza. Incluindo, aqui, o grito vindo do Norte. Direto, indignado e oportuno, bem ao estilo do ex-governador Hélio Gueiros, o inesquecível Papudinho. 

Relacionadas

Série de ‘Harry Potter’ ganha primeiro trailer e data de estreia

Série de ‘Harry Potter’ ganha primeiro trailer e data…

Após oito filmes de sucesso lançados entre 2001 e 2011, o universo de “Harry Potter”, criado por J.K. Rowling, ganhará nova…
Defensoria Pública inaugura em Belém a Casa da Defesa da Mulher

Defensoria Pública inaugura em Belém a Casa da Defesa…

Inaugurada pela Defensoria Pública do Pará nesta quarta-feira (25), em Belém, a Casa da Defesa da Mulher foi desenvolvida para acolher…
Senado aprova projeto que inclui violência contra filhos na Lei Maria da Penha e cria crime de vicaricídio

Senado aprova projeto que inclui violência contra filhos na…

O Senado aprovou nesta quarta-feira o projeto de lei que inclui a chamada violência vicária na Lei Maria da Penha e…