• 21 de março de 2026

Fim da patente do Ozempic: quanto devem custar as novas versões da semaglutida no Brasil?

Reprodução

O período de vigência da patente da semaglutida, princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy, indicados para diabetes e obesidade e desenvolvidos pelo laboratório dinamarquês Novo Nordisk, chega ao fim. Com isso, após um prazo de 20 anos em que a farmacêutica teve exclusividade para comercializar a substância no Brasil, outras empresas podem criar suas próprias versões.

Essas versões também precisam ser submetidas à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que analisa os dados de qualidade, segurança e eficácia e comprova se elas de fato são equivalentes à semaglutida original. No ano passado, o Ministério da Saúde pediu à agência que priorizasse a análise das versões nacionais.

Isso porque as empresas já se prepararam e submeteram à Anvisa suas formulações de semaglutida antes do fim da patente. Esse processo pode ocorrer enquanto a patente ainda está válida, os laboratórios apenas são impedidos de comercializar o medicamento antes que o período da patente chegue ao fim.

Não há como saber ainda quais serão os valores exatos praticados pelas empresas para essas novas versões, mas se espera que, pelo aumento da concorrência no mercado, os preços caiam. Se seguir a tendência de outros remédios similares e genéricos no Brasil, as novas versões podem chegar a valores de 15% a 60% inferiores que o Ozempic e Wegovy originais.

A legislação brasileira define que um genérico deve ser ao menos 35% mais barato do que o medicamento de referência. Na prática, segundo estimativas da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), os genéricos costumam ter um preço 60% menor no mercado brasileiro.

Em estudo publicado no periódico Economia e Sociedade, pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal de Santa Catarina analisaram essa diferença em farmácias e drogarias do país. O trabalho confirmou que genéricos costumam ser de fato 59% mais baratos, mas apontou que os similares geralmente também têm o custo 15% inferior ao remédio de referência.

— Na prática, ambos são iguais aos seus medicamentos de referência e podem ser utilizados pela população sem medo de perder a qualidade, eficácia ou segurança. Mas, para o medicamento similar, é permitido o uso de uma marca, propaganda e apresentação do produto aos prescritores, o que gera mais custos ao produto final. Enquanto o genérico carrega apenas nome do princípio ativo — explica Marcela Amaral, uma das autoras do estudo e gerente de Acesso e Precificação do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).

Em nota, a Novo Nordisk disse que “o encerramento de uma patente é etapa natural no ciclo de vida de qualquer inovação” e que o “Brasil continua sendo um dos mercados mais estratégicos para a Novo Nordisk globalmente”. A farmacêutica também afirma que “mais do que responder à competição, a empresa segue investindo em ciência capaz de antecipar necessidades futuras, ampliar possibilidades terapêuticas e gerar valor duradouro para pacientes, profissionais de saúde e sistemas públicos e privados”. Confira abaixo o posicionamento na íntegra.

“O encerramento de uma patente é etapa natural no ciclo de vida de qualquer inovação. A empresa está preparada para atuar com solidez neste novo contexto.

A inovação é um dos pilares centrais da companhia há mais de um século e segue orientando sua estratégia de longo prazo, traduzida em um portfólio de medicamentos transformadores e em um pipeline robusto, com potencial para gerar novos avanços relevantes no cuidado das doenças crônicas graves e contribuir para sistemas de saúde mais fortes, resilientes e sustentáveis.

Mais do que responder à competição, a empresa segue investindo em ciência capaz de antecipar necessidades futuras, ampliar possibilidades terapêuticas e gerar valor duradouro para pacientes, profissionais de saúde e sistemas públicos e privados.

O Brasil continua sendo um dos mercados mais estratégicos para a Novo Nordisk globalmente. Há quase 40 anos fincamos raízes no Brasil, estamos em plena expansão da nossa fábrica em Montes Claros (MG), que já responde por cerca de 25% da produção mundial de insulinas da companhia — o equivalente a aproximadamente 12% da insulina consumida no mundo — e que, no futuro, também contribuirá para ampliar a produção nacional de medicamentos injetáveis.

Esse plano permanece inalterado. Ele reflete a convicção de que o Brasil seguirá ocupando um papel central na estratégia global da companhia e de que a Novo Nordisk continuará olhando para o futuro com ambição, responsabilidade e disposição para investir em inovação, produção local e soluções que impulsionem mudanças em doenças crônicas graves, respondendo aos grandes desafios de saúde da sociedade.”

Da Agência O Globo

Relacionadas

Jogador do Flamengo critica atração do Lollapalooza após situação envolvendo criança: “extremamente desproporcional”

Jogador do Flamengo critica atração do Lollapalooza após situação…

O jogador do Flamengo, Jorginho Frello, usou suas redes sociais para denunciar uma situação envolvendo a cantora Chappell Roan, atração que…
Com bola rolando, Remo não marca gols há cinco jogos

Com bola rolando, Remo não marca gols há cinco…

A terceira derrota seguida do Remo, que colocou a equipe na lanterna do Brasileirão, chamou a atenção por outro detalhe: o…
Dona Onete passa bem após procedimento cirúrgico

Dona Onete passa bem após procedimento cirúrgico

A cantora paraense Dona Onete passou por um procedimento cirúrgico na última sexta-feira (20) com sucesso e seu quadro é estável.…