• 17 de março de 2026

Alerta de chuva extrema volta a rondar o Pará e reacende histórico de tragédias hídricas

Pedro Garcia

Uma nova frente de instabilidade deve atingir em cheio o Norte do país nesta semana, com volumes que podem ultrapassar 100 mm em diferentes estados, incluindo o Pará. O aviso se soma à repetição de episódios recentes de chuva intensa e um histórico de eventos extremos que, ano após ano, expõem a vulnerabilidade da região.

Na prática, o alerta não chega em terreno seco. Em Belém, a previsão já indica uma sequência de dias com chuvas praticamente ininterruptas, com picos de até 57 mm em apenas 24 horas e probabilidade de precipitação de 100% ao longo desta semana. Esse padrão é típico do chamado “inverno amazônico” e ganha força quando sistemas atmosféricos se alinham. É exatamente isso que os meteorologistas observam agora.

Nos primeiros dias de março, a capital paraense registrou volumes expressivos: houve dias com mais de 140 mm de chuva, além de acumulados que se aproximaram de 150 mm em menos de uma semana. O resultado foi imediato: alagamentos, transtornos urbanos e municípios em situação de emergência viraram notícia rotineira.

A marca acima de 100 mm em 24 horas é um número alto e preocupante. A partir daí, crescem exponencialmente os riscos de transbordamentos, deslizamentos e colapsos de drenagem, sobretudo em áreas urbanas densas e com infraestrutura precária, como é a cidade de Belém.

Histórico pesa

Os dados recentes ajudam a dimensionar o problema. Em 2025, Belém liderou o número de desalojados no país por causa de chuvas intensas. Mais de 10 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, mesmo que em curtos períodos, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. No mesmo ano, mais de 200 mil pessoas foram afetadas por eventos hidrológicos na Região Norte.

Episódios de chuva extrema já são parte da memória coletiva da cidade, seja nas pancadas torrenciais que transformam avenidas em rios, seja nas longas sequências de dias nublados e úmidos que saturam o solo.

Mesmo fora do período mais crítico, volumes considerados “altos” já causaram impactos. Em agosto de 2020, por exemplo, uma chuva de 44 mm, considerada elevada para a estação seca, foi suficiente para provocar transtornos e alertar autoridades. Aconteceu na noite de 27 para 28 de agosto e assustou os moradores de Belém. A precipitação foi considerada a maior registrada no mês de agosto até então, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

A chuva ocorreu num período de 2 horas e sobrecarregou o sistema de drenagem de Belém. Houve registros de alagamentos em diversos pontos da cidade, causando transtornos diversos e afetando o trânsito. Em agosto, a média histórica de chuvas é menor, cerca de 128 mm no total do mês, tornando um único evento de 44 mm bem assustador. No auge da estação chuvosa, esses números podem facilmente triplicar ou quadruplicar.

O alerta para o Pará não é isolado. Em fevereiro deste ano, chuvas extremas em Minas Gerais deixaram dezenas de mortos, após acumulados muito acima da média. Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou volumes entre 300 mm e 700 mm em poucos dias, em uma das maiores tragédias climáticas do país.

A leitura dos especialistas é direta: eventos extremos estão mais frequentes e intensos, impulsionados por mudanças climáticas e pelo aquecimento dos oceanos, fatores que também influenciam diretamente o regime de chuvas na Amazônia.

Para os moradores da Região Metropolitana de Belém, os próximos dias exigem atenção redobrada. Acumulados diários acima de 50 mm já indicam risco elevado e sequências de vários dias chuvosos aumentam a chance de alagamentos. É sempre bom lembrar que áreas próximas a canais são as mais vulneráveis. A orientação das defesas civis é acompanhar alertas oficiais e evitar deslocamentos durante temporais mais intensos.

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