• 5 de março de 2026

Chuvas elevam risco de leptospirose no Pará; estado já registrou quatro casos em 2026

Reprodução / Ag. Belém

Com o aumento das chuvas no Pará neste período do ano, cresce também o risco de transmissão da leptospirose, doença infecciosa associada a áreas alagadas e ao contato com água contaminada. O cenário é comum durante o inverno amazônico, quando ruas e canais transbordam e a população fica mais exposta a ambientes com esgoto e lixo.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) alerta que a leptospirose é causada pela bactéria Leptospira, presente principalmente na urina de ratos. O animal não adoece, mas pode espalhar a bactéria em locais por onde passa. Durante as chuvas, a água invade tocas e redes de esgoto e leva o micro-organismo para a superfície, aumentando o risco de contaminação em áreas urbanas alagadas.

Segundo a coordenação estadual de Zoonoses da Sespa, a infecção ocorre principalmente quando a pessoa entra em contato com água ou lama contaminadas e possui algum ferimento na pele. A transmissão também pode ocorrer pela mucosa ou mesmo pela pele íntegra após exposição prolongada à água contaminada, além do consumo de água ou alimentos contaminados.

Os primeiros sintomas costumam surgir, em média, oito dias após o contato com a bactéria e incluem febre, dor de cabeça e dores musculares intensas, especialmente na região da panturrilha. O diagnóstico pode ser dificultado porque esses sinais são semelhantes aos de outras doenças comuns na região, como gripe, dengue, chikungunya e zika.

Em casos mais graves, a doença pode provocar complicações como pele amarelada, hemorragias, comprometimento dos rins e até levar à morte. Por isso, a orientação é procurar atendimento médico ao apresentar sintomas após contato com água de enchentes ou locais com esgoto.

Dados da Sespa mostram que, em 2025, foram confirmados 151 casos de leptospirose no Pará, com maior concentração entre janeiro e abril. Neste ano, de janeiro a fevereiro de 2026, quatro casos já foram registrados no estado.

No ano passado, os municípios com mais ocorrências foram Belém, com 53 casos, seguido por Óbidos, com 16, e Castanhal, com 11 registros. Em 2026, até o momento, os casos confirmados ocorreram em Santarém, com três registros, e em Breves, com um caso.

As principais medidas preventivas contra Leptospirose são:

  • Evitar acúmulo de lixo e água parada;
  • Proteger os pés ao andar em áreas alagadas;
  • Beber água tratada;
  • Não deixar restos de alimentos de animais de estimação disponíveis aos roedores;
  • Não consumir alimentos de origem duvidosa ou expostos aos roedores;
  • Evitar tomar banho em canais, igarapés, açudes e riachos próximos de áreas infestadas por roedores.

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