- 28 de fevereiro de 2026
Pesca do mapará é retomada neste domingo após quatro meses de defeso
Com o objetivo de fortalecer a atividade pesqueira e impulsionar a economia local, o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), acompanha neste domingo (1º) a retomada da tradicional pesca do mapará em municípios do interior do Estado. A abertura ocorre em Cametá, Limoeiro do Ajuru e Igarapé-Miri, na Região de Integração Tocantins, além de Oeiras do Pará, no Arquipélago do Marajó. A programação marca o fim do período de defeso e inclui a realização do “borqueio”, prática tradicional em que embarcações se organizam em círculo para a captura do mapará, peixe abundante na região. O ritual simboliza a reabertura oficial da pesca após quatro meses de suspensão da atividade.
De acordo com o diretor de Pesca da Sedap, Orlando Lobato, o defeso do mapará teve início em 1º de novembro do ano passado, conforme determina a legislação ambiental. “Foram quatro meses de defeso. A abertura da pesca ocorre quando se considera que as espécies já atingiram a fase adulta”, explicou. Segundo ele, estudos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apontam esse intervalo como o mais adequado para a preservação e reprodução da espécie.
Cametá é um dos destaques da pesca do mapará no Pará, com cerca de 55 comunidades diretamente envolvidas na chamada “festa das águas”. Além do município, localidades como Abaetetuba, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajuru e Oeiras do Pará também mantêm forte tradição na atividade. No oeste do Estado, a retomada da pesca após o defeso também é celebrada com eventos semelhantes, como ocorre no município de Curuá. Segundo Orlando Lobato, o Estado atua de forma permanente no ordenamento e na gestão pesqueira do mapará. Ele destacou o papel da Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) na mediação de acordos de pesca firmados com a participação das comunidades, estabelecendo regras e calendários que contribuem para a preservação da espécie e a sustentabilidade da atividade.
A retomada da pesca tem impacto direto na renda de pescadores e pescadoras e no aquecimento do comércio local. A produção varia conforme os lances de pesca: cada “borqueio” pode resultar na captura de 8 a 20 toneladas de peixe, podendo chegar a cinco bloqueios durante o dia de abertura, a depender das condições climáticas. Em algumas comunidades, há ainda a tradição de destinar o primeiro “borqueio” à distribuição gratuita para famílias em situação de vulnerabilidade.
Em Cametá, a programação deste domingo está prevista para iniciar às 8h, na Vila de Curuçambaba. Antes da saída das embarcações, será realizada uma agenda organizada pela Prefeitura, em parceria com entidades representativas dos trabalhadores e trabalhadoras da pesca.