- 26 de fevereiro de 2026
Queda de 96%: em dois anos, governo Zema reduziu de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões a verba de prevenção contra impacto das chuvas
As despesas do governo de Minas Gerais na infraestrutura de combate aos impactos das chuvas decaíram de cerca de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões entre os anos de 2023 e 2025, segundo dados do Portal de Transparência do estado. Desde essa terça-feira, os temporais que atingiram os municípios de Juiz de Fora e Ubá deixaram ao menos 36 mortos e 33 desaparecidos. Outras 208 pessoas foram resgatadas com vida.
Procurada, a administração estadual argumentou que “a gestão do atendimento e dos gastos públicos durante o período chuvoso envolve vários órgãos e não apenas a Defesa Civil”. “Somando todos os recursos investidos”, disse o governo, são, desde 2022, “mais R$ 170 milhões empregados na prevenção e resposta a desastres, desde Tesouro Estadual, emendas, recursos do acordo Brumadinho, Fundos do MPMG dentre outros, empenhados no fortalecimento das defesas civis municipais”.
Na análise, o GLOBO buscou pelos programas do governo — incluindo os ligados ao Gabinete Militar, que administra a Defesa Civil — e considerou todas as rubricas que faziam menção à palavra “chuvas”. No portal, os investimentos estão descritos com a descrição de “suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas” e são divididos entre as despesas de gestão de desastre e de atendimento, de mitigação de danos gerais e pontuais provocados nas rodovias, além da prevenção de eventos meteorológicos críticos.
Em 2023, os dados indicam que o governador destinou cerca de R$ 134,8 milhões para esse segmento. Desde então, o valor pago decaiu para R$ 41,1 milhões em 2024 e R$ 5,8 milhões em 2023. Já neste ano, durante os dois últimos meses, a administração estadual havia destinado R$ 16.100 para a infraestrutura de combate aos temporais.
Os dados sob essas rúbricas do primeiro mandato do atual governador, Romeu Zema (Novo), que se estendeu entre os anos de 2019 a 2022, não estão disponíveis no Portal de Transparência. Procurada sobre a razão da queda nos valores pagos, a administração estadual não respondeu aos questionamentos levantados pela reportagem até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.
Depois dos temporais que atingiram municípios do estado ao longo dos últimos dias, o vice-governador, Mateus Simões (PSD), anunciou na terça, durante uma entrevista coletiva, a destinação de R$ 38 milhões a Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá como forma de fortalecer o combate às tempestades nos municípios atingidos. Na ocasião, Zema também informou que equipes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) serão deslocadas para as cidades para mapear todas as áreas de risco. Além disso, técnicos da Companhia de Saneamento Básico do estado (Copasa) e carretas humanitárias estavam previstas para chegar nas cidades ainda na terça-feira.
— Fiz questão de me deslocar até Juiz de Fora. Eu estava no Noroeste de Minas Gerais. Tão logo tomamos conhecimento da gravidade das ocorrências aqui, ainda de madrugada, determinei ao coronel Rezende, nosso chefe da Defesa Civil, que empenhasse todos os esforços possíveis no sentido de tentarmos salvar o maior número de pessoas — afirmou Zema.

O governo federal também reconheceu o estado de calamidade pública decretado pela prefeitura de Juiz de Fora. Por meio das redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se solidarizou com a população e informou que uma equipe de coordenação da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) está a caminho e que a Defesa Civil Nacional trabalha em alerta máximo.
Diante da previsão de novas chuvas nesta quarta-feira, a Defesa Civil determinou ainda na terça a evacuação completa de 24 ruas em quatro bairros de JF, com estimativa de retirada de cerca de 600 famílias. As áreas evacuadas ficam nos bairros Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras. No Três Moinhos, a orientação é para que moradores deixem as ruas Maria Florice dos Santos, João Luzia, José de Castro Ribeiro, José Luiz Flores, Manoel Clemente, Vicente Paulo Bacelar e Natalina de Andrade Guerra.
Veja a nota:
O Governo de Minas Gerais realizou o maior investimento da história em proteção e defesa civil nos últimos anos, destinando mais de R$ 94 milhões à compra de 513 kits, compostos por viatura 4×4, notebook, trena digital e coletes reflexivos. Ao todo, 494 municípios mineiros foram contemplados, fortalecendo a estrutura local para ações de prevenção e resposta a desastres. Em 2026, mais kits e veículos estão com projeção de entrega, inclusive temos editais de chamamento público abertos e novo edital para publicar com novos veículos e kits para distribuição.
Somando todos os recursos investidos em Defesa Civil, temos, desde 2022, mais R$ 170 milhões empregados na prevenção e resposta a desastres, desde Tesouro Estadual, emendas, recursos do acordo Brumadinho, Fundos do MPMG dentre outros, empenhados no fortalecimento das defesas civis municipais com kits de defesa civil, aquisições de ajuda humanitária, sistemas de captação de água da chuva e estruturação do Centro de Inteligência em Defesa Civil – Cindec.
Por fim, houve investimento de R$ 400 milhões na construção de cinco bacias de contenção de cheias na RMBH. A bacia B2 Rio Volga ficou 100% operacional em 2023. A bacia B3 (Vila PTO) foi entregue em agosto de 2025. E estão previstas as B4 (Vila Itaú) e Toshiba (05A), em Contagem, e a Bacia Vila Sport Club (B5), em Belo Horizonte.
Para 2026, temos a projeção de investimentos que ultrapassam 40 milhões, o que demonstra a prioridade na gestão dos gastos públicos na prevenção e preparação, além da resposta oferecida e apoio constante aos municípios.
Salientamos que recursos dos cofres públicos são empenhados, liquidados conforme legislação em vigor e a prestação de contas pela análise do portal transparência deve ocorrer de forma integral, sob pena de repasse de informação incompleta, não verídica que desinforma ao invés de esclarecer a população.
Fonte: O Globo