• 25 de fevereiro de 2026

Episódio de racismo contra Vini Jr. mostra que o futebol ainda hesita em expulsar de campo o preconceito

Reprodução/O Globo

O jogador argentino do Sport Lisboa e Benfica, Gianluca Prestianni, está suspenso provisoriamente após denúncia de racismo feita pelo brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, na semana passada. Este é um novo capítulo de um roteiro constrangedor em que o futebol europeu ensaia indignação pública, mas entrega respostas tímidas. A decisão da UEFA, embora represente um gesto institucional, escancara o descompasso entre a gravidade do crime e a suavidade das consequências aplicadas.

Apesar de a medida soar como avanço rumo a punições mais severas, a suspensão do argentino é apenas provisória e, segundo nota oficial da entidade, não deve interferir nas investigações do caso. Na prática, caso o Benfica avance para a próxima fase da UEFA Champions League, Gianluca Prestianni poderá voltar a campo normalmente. Como se o episódio fosse um ruído administrativo, e não um ataque que fere a dignidade humana.

A situação torna-se ainda mais reveladora diante da justificativa do jogador, que afirmou ter chamado Vini Jr. de “maricón”, e não de “mono”, alegando que sua fala não teria sido racista, mas homofóbica. A tentativa de hierarquizar preconceitos como estratégia de defesa apenas amplia o constrangimento. Racismo ou homofobia, a escolha semântica não absolve, apenas confirma a disposição para ofender.

Já o Benfica, em vez de repudiar a atitude de seu atleta com manifestações claras contra qualquer forma de discriminação, anunciou seu terceiro uniforme com uma propaganda considerada racista e discriminatória. No vídeo de lançamento, o jogador negro Dodi Lukebakio interpreta um criminoso inspirado na série Lupin, da Netflix, e “rouba” o novo uniforme do clube. A publicação ocorreu dias após o episódio envolvendo Prestianni e Vinícius Júnior, com a legenda: “Somos suspeitos, mas gostamos muito”. Ironia mal calculada é eufemismo: trata-se de insensibilidade institucional.

Como escreveu a ativista e intelectual norteamericana Angela Davis, “numa sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”. No futebol, uma indústria bilionária que vende diversidade como marca global, o princípio parece valer apenas no marketing. Dentro das quatro linhas, a pedagogia ainda é a da complacência.

Assim, a decisão da entidade organizadora da competição pode até soar simbólica, mas permanece aquém do necessário. Enquanto a punição for provisória e o repúdio for protocolar, o futebol seguirá exibindo campanhas coloridas contra o preconceito enquanto permite que ele continue em campo. Impune, vestindo uniforme oficial e esperando o apito inicial da próxima partida.

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