• 23 de fevereiro de 2026

Audiência sobre aterro sanitário no Acará é encerrada após confusão generalizada; manifestantes atearam fogo perto de gerador

Uma audiência pública, promovida pela Secretaria de Sustentabilidade e Meio Ambiente (Semas) realizada no município de Acará, no nordeste do Pará, para discutir a implantação de um aterro sanitário terminou em confusão generalizada e atos de vandalismo que poderiam ter causado uma tragédia na última sexta-feira (20).

O encontro ocorreu no ginásio poliesportivo da cidade e reuniu moradores que serão impactados pelo empreendimento, autoridades e a empresa Ciclus Amazônia, que idealizou o projeto. Uma equipe de segurança contratada para o evento tentou impedir manifestantes de atearem fogo perto do gerador de energia que operava fora do ginásio e acabaram queimados pelas chamas.

Os manifestantes relataram que iniciaram os protestos por conta de restrições de acesso ao ginásio onde ocorria a audiência. Segundo eles, os seguranças estariam impedindo a entrada das comunidades quilombolas que serão impactadas pela instalação do aterro.

Risco de explosão

Vídeos mostram ainda a tentativa de atear fogo a um gerador de energia instalado no ginásio. Caso o equipamento fosse incendiado, poderia haver explosão ou um incêndio de grandes proporções, colocando em risco a vida de quem estava no local, ocasionando uma tragédia sem precedentes.

A situação foi controlada antes que o pior acontecesse, por policiais da Polícia Militar que agiram no local. Diante do tumulto, a audiência pública foi encerrada antes da conclusão dos debates. Uma nova data deverá ser divulgada para a retomada da discussão sobre o projeto.

“Sobre a audiência pública realizada na sexta-feira (20/02), no Ginásio Dicão, no município de Acará, referente ao processo de licenciamento ambiental da Central de Tratamento de Resíduos (CTR), a Ciclus Amazônia informa que o evento foi organizado com toda a infraestrutura técnica necessária à sua realização. O ginásio foi estruturado para receber 900 pessoas, com equipamentos de som, imagem, iluminação, gerador de energia, estrutura de apoio e serviços adequados para garantir ampla participação do público e condições apropriadas para a condução dos trabalhos. O esquema de segurança foi dimensionado de acordo com protocolos para eventos dessa natureza e orientação dos órgãos competentes, com o objetivo de assegurar o direito à informação e à livre manifestação popular. As equipes organizaram o acesso ao espaço, respeitando sua capacidade e garantindo condições adequadas de participação durante a audiência. Adicionalmente, foram montados dois pontos extras para transmissão integral, ao vivo, da audiência: um na Escola Santa Maria III – na comunidade de Castanhalzinho, e o segundo na escola Geraldo José, na comunidade Nínive. Esses espaços permitiam, inclusive, a realização de perguntas e manifestações orais, transmitidas em tempo real para o plenário principal. A audiência também contava com transmissão ao vivo pelo YouTube, ampliando o acesso da população às informações e aos debates. Com toda infraestrutura montada, os interessados em participar do ato presencial ou virtualmente tiveram livre acesso aos eventos previamente agendados e amplamente comunicados. No entanto, ao mesmo tempo em que se iniciava a Audiência Pública, do lado de fora do ginásio, ocorriam manifestações contrárias ao evento, o que é legítimo em um ambiente democrático. Contudo, como é demonstrado em imagens e vídeos, na área externa ocorreram episódios de violência, com confrontos, danos ao patrimônio e pessoas feridas, que receberam atendimento médico. Nas imagens é possível verificar o uso de material inflamável direcionado ao equipamento gerador de energia e que também atingiu e feriu algumas pessoas que receberam assistência médica. Policiais militares disponibilizados pelo poder público atuaram, por meio das forças especiais, para conter atos de violência e proteger as pessoas presentes. A atuação das forças especiais ocorreu quando o conflito já estava instaurado na área externa do ginásio. Em paralelo aos atos externos ao ginásio, um grupo de manifestantes invadiu e promoveu atos de depredação no imóvel público, atingindo mobiliário e equipamentos de prestadores de serviço. As equipes envolvidas atuaram imediatamente para preservar a integridade física dos participantes. Ressalta-se ainda que, antes dos episódios de violência, as pessoas que permaneciam na área externa foram convidadas diversas vezes a ingressar no ginásio para participar da audiência pública, mas optaram por não entrar no espaço destinado à realização do evento. A empresa reitera absoluto repúdio a qualquer forma de violência e mediante qualquer atuação dos seguranças contratados que venha a se comprovar como desmedida, terá sua apuração e medidas adotadas junto ao fornecedor. Diante da escalada dos acontecimentos e da impossibilidade de manter as condições adequadas de segurança, as autoridades responsáveis determinaram o encerramento da audiência. Os fatos estão sendo apurados pelas autoridades competentes, e a Ciclus Amazônia colaborará integralmente com as investigações, para que os responsáveis sejam identificados e as medidas cabíveis adotadas. A empresa reafirma seu respeito às comunidades envolvidas e o compromisso com a transparência, o rigor técnico e a condução responsável do projeto – ação de relevante interesse para a população de Belém – e permanece à disposição para prestar esclarecimentos enquanto aguarda as deliberações institucionais”, disse a Ciclus Amazônia, em nota.

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