• 20 de fevereiro de 2026

Manifestantes protestam em São Paulo, na sede da Cargill, em apoio à ocupação indígena de Santarém

Manifestantes se reuniram na noite desta sexta-feira (20), em São Paulo, em protesto contra a dragagem do Rio Tapajós, em Santarém, no Pará, onde povos indígenas estão protestando há 30 dias seguidos. O ato ocorreu em frente ao prédio da Cargill e pediu a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que autoriza a construção de uma hidrovia na Amazônia. Cartazes e palavras de ordem cobravam “Fora Cargill” e denunciavam impactos socioambientais do projeto.

O protesto em São Paulo acontece em apoio à ocupação indígena no pátio da empresa em Santarém, no oeste do Pará. Lideranças e apoiadores afirmam que a dragagem ameaça a saúde dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, além de afetar diretamente o modo de vida de povos e comunidades tradicionais que dependem desses cursos d’água.

Segundo os manifestantes, as comunidades potencialmente atingidas não foram consultadas previamente, como determinam acordos internacionais e a legislação brasileira. Eles alertam ainda para prejuízos ao ecossistema amazônico, com riscos à fauna, à flora e à dinâmica natural dos rios.

No Pará, a situação ganhou novos contornos após a empresa ingressar com pedido de reintegração de posse. A Justiça deferiu a solicitação, determinando a desobstrução da entrada da unidade da Cargill em Santarém, onde os manifestantes seguem mobilizados contra a dragagem. Nesta sexta, 20, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma nova ação contra a decisão que determina a desocupação do pátio da empresa em Santarém.

Os principais pontos levantados pelo MPF incluem:

  1. Violação da ADPF 828 (STF): O MPF argumenta que o prazo exíguo de 48 horas desrespeita o regime de transição para desocupações coletivas, que exige etapas prévias de mediação por comissões de conflitos fundiários.
  2. Descumprimento de Resoluções do CNJ: O recurso cita as Resoluções nº 454/2022 e nº 510/2023, que obrigam a elaboração de um “plano de desocupação humanizado” e a participação direta das lideranças afetadas antes de qualquer reintegração. O MPF defende que a ausência em uma única audiência não justifica a ação coercitiva imediata.
  3. Nulidades Processuais: O órgão aponta que a liminar foi concedida sem a prévia intimação da FUNAI e do próprio MPF, e que as comunidades afetadas sequer foram citadas para integrar a ação movida pela Amport.

O órgão também alerta para o perigo de “dano reverso” e a possibilidade de confronto violento, uma vez que a ocupação conta com a presença de grupos vulneráveis, incluindo idosos, mulheres e crianças. O documento questiona ainda a “urgência logística” alegada pelas empresas, classificando os riscos de desabastecimento como “conjecturas abstratas” sem laudos técnicos comprobatórios, e ressalta que há indícios de que os manifestantes permitem a passagem de veículos essenciais.

O objetivo do recurso apresentado pelo MPF é obter a retratação imediata da decisão monocrática ou, caso contrário, que o recurso seja julgado pela Turma competente para suspender a ordem de desocupação forçada até que sejam cumpridos os ritos de mediação e proteção aos direitos humanos.

Os organizadores do ato afirmam que novas manifestações devem ocorrer enquanto o decreto não for revogado e defendem a abertura de diálogo com o governo federal para discutir alternativas que não comprometam os direitos das comunidades tradicionais nem o equilíbrio ambiental da Amazônia.

Relacionadas

Operação Carnaval 2026 do Detran termina sem mortes no trânsito

Operação Carnaval 2026 do Detran termina sem mortes no…

O Departamento de Trânsito do Estado (Detran) concluiu a Operação Carnaval de 2026 na última quarta-feira, 18, com zero morte nas…
TJMG absolve homem de 35 anos por estupro de menina de 12 anos: “vínculo afetivo consensual”

TJMG absolve homem de 35 anos por estupro de…

Por maioria de votos, a 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) absolveu um homem de 35…
Marinha abre mais de mil vagas para fuzileiros navais com oportunidades para Belém

Marinha abre mais de mil vagas para fuzileiros navais…

A Marinha do Brasil abriu inscrições para 1.680 vagas no concurso de soldados fuzileiros navais, com oportunidades para jovens de 18…