• 10 de fevereiro de 2026

Pará transforma ativos naturais em riquezas, com exportações bilionárias de produtos da floresta

Pedro Guerreiro/Agência Pará

A parte da floresta amazônica incrustada no Pará, conhecida por sua biodiversidade única, tem se destacado por outro mérito: fonte de riquezas econômicas de origem natural. Além de matriz vital para medicamentos, vacinas e produtos de beleza, os ingredientes da floresta, dos frutos variados a óleos essenciais, já somam cifras robustas para a economia local e projetam divisas significativas para o Brasil no comércio mundial.

O açaí, ícone da bioeconomia amazônica, é um dos protagonistas. Em 2024, a produção nacional de açaí alcançou cerca de 247,5 mil toneladas, com valor estimado em mais de R$ 1 bilhão, sendo R$ 801,9 milhões gerados pelo Pará, que respondeu por quase 70% do total nacional da produção primária do fruto, de acordo com dados da Federação das Indústrias do Pará e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Esse desempenho econômico representa um crescimento de mais de 19% no valor em relação ao ano anterior, refletindo a forte demanda interna e internacional.

Recorde histórico

Mas os números não param por aí. O setor florestal brasileiro, que inclui a silvicultura e a extração vegetal de produtos não madeireiros como açaí, castanha-do-pará e óleos naturais, atingiu um valor de produção superior a R$ 44 bilhões em 2024, um recorde histórico da série estatística. Indicativo real do peso crescente dessa bioeconomia no PIB agrário nacional.

Na esfera global, produtos amazônicos preservados e compatíveis com a floresta representam um mercado estimado em cerca de US$ 150 bilhões por ano. Embora o Brasil ainda detenha uma participação modesta nesse colossal mercado internacional, menos de 1% segundo a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), é notório o crescimento potencial ao integrar sustentabilidade ambiental e acesso a novos mercados consumidores.

Para a indústria farmacêutica, compostos extraídos de espécies como unha-de-gato e óleos vegetais amazônicos vêm alimentando pesquisas que exploram suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e imunomoduladoras, úteis tanto em fitoterápicos quanto como insumos complementares em fármacos inovadores. No setor de beleza, manteigas e óleos de mandioca, andiroba, buriti, ucuúba e murumuru já figuram em linhas globais de cosméticos e cuidados corporais pela sua ação hidratante profunda e regeneradora.

Além do uso industrial, muitos desses produtos têm papel vital na alimentação e nutrição. O açaí e o cupuaçu, por exemplo, são consumidos tradicionalmente e também transformados em suplementos e alimentos funcionais ricos em antioxidantes e gorduras saudáveis, como mostra matéria recente do Portal Fundação Getúlio Vargas.

O crescimento econômico dessas cadeias produtivas não é apenas teórico. No Pará, políticas públicas como garantia de preços mínimos para extrativistas e investimentos em bioeconomia estão criando condições mais estáveis para pequenos produtores, fortalecendo a exportação de produtos amazônicos e atraindo investimentos em infraestrutura e pesquisa aplicada.

Ao mesmo tempo em que alimenta vacinas e cosméticos de alto valor agregado, a bioeconomia paraense também se afirma como um vetor de geração de divisas, emprego e sustentabilidade. A aposta, que antes parecia periférica, hoje ganha números concretos e projeções ainda maiores para o futuro. É possível fazer dinheiro preservando a floresta, e não derrubando árvores. No final das contas, é nessa interseção entre ciência, economia e natureza que a floresta do Pará nos lembra: o verdadeiro ouro talvez não esteja no solo, mas nas plantas que aprendemos a conhecer e valorizar. 

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