- 9 de fevereiro de 2026
“Afronta à grandeza americana”: Trump critica apresentação de Bad Bunny no Super Bowl e web reage
O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou a apresentação de Bad Bunny, no intervalo do Super Bowl, nesse domingo, na Califórnia. Diante do sucesso da apresentação e da repercussão sobre a abordagem política do porto-riquenho, o magnata atirou nas redes sociais: “Uma afronta à grandeza americana” nas redes sociais.
Trump, que optou por não comparecer à popular final do Super Bowl, escreveu em sua conta na rede social Truth Social, imediatamente após a apresentação do artista de reggaeton, que “ninguém entendeu o que esse cara estava dizendo”. Em outras redes sociais, no entanto, parece que o público não só entendeu como aderiu em peso ao assunto. No X (antigo Twitter), por exemplo, Bad Bunny estava entre os primeiro tópicos mais comentados.
O show
Sem mensagens políticas explícitas, mas com uma animada exaltação da cultura latina (e da sua Porto Rico), o cantor Bad Bunny fez num fim de tarde de domingo (22h19 da noite, no Brasil) o seu esperado show no intervalo do intervalo do Super Bowl. A americana Lady Gaga e o porto-riquenho Ricky Martin foram as estrelas escolhidas pelo anfitrião para a grande festa que ele prometera, na quinta-feira, e na qual passeou com muita dança e cinematografia pelo repertório dos seus 10 anos de carreira.
Num palco montado no centro do Levi’s Stadium em Santa Clara, na Califórnia (onde se enfrentavam os New England Patriots e os Seattle Seahawks, Benito Antonio Martinez Ocasio começou seu show, em meio a um cenário que reproduzia uma plantação, lembrando suas origens no reggaeton, com “Tití me preguntó” e “Solita”.
Como num filme, e com um bem coreografado balé feminino, ele percorreu seu caminho pela cena — citando pioneiros do reggaeton como Tego Calderón, e cantando um trechinho de “Gasolina”, de Daddy Yankee, o primeiro grande hit do movimento — até entregar os holofotes e câmeras para Lady Gaga, que, num belo vestido e totalmente à vontade como crooner latina, cantou uma versão salsa de seu hit “Die with a smile”.
Com “Baile inolvidable” e “Nuevayol”, faixas que trazem a raiz musical de Porto Rico (e, de uma certa forma, da América Latina) para os dias de hoje, Bad Bunny enveredou então pelo repertório de “Debí tirar más fotos”, seu disco de 2025, que lhe valeu semana passada o Grammy de álbum do ano — foi a primeira vez que um trabalho todo cantado em espanhol levou para casa esse que é o prêmio principal da indústria americana.
Artista mais ouvido mais ouvido globalmente no Spotify em 2025 (é sua quarta vez no topo do streaming, ele vem atingindo essa marca desde 2020), o cantor fez de sua participação neste que é o show mais visto dos Estados Unidos uma celebração da cultura de Porto Rico, uma ilha no Caribe, com pouco mais de três milhões de habitantes, “território não incorporado” dos Estados Unidos a partir do fim da Guerra Hispano-Americana, em 1898.
Nisso, foi muito simbólico que Bad Bunny desse para Ricky Martin — artista que abriu para os porto-riquenhos (desde o grupo Menudo) os caminhos para o sucesso internacional — a interpretação de “Lo que le paso a Hawaii”, uma das canções mais críticas e aguerridas de “Debí tirar más fotos”. E que ele criasse uma cena em que entrega a um menino o Grammy que ganhou por esse disco que já foi descrito pelos especialistas como uma “carta de amor a Porto Rico”.
Ao fim de um verdadeiro arrastão, que durou cerca de 13 minutos (e que ainda teve figurações de luxo do ator Pedro Pascal e das cantoras Cardi B e Karol G — todos de origem latina), Bad Bunny pediu para que Deus abençoasse a América — e os países que a compõem, Brasil incluído.
No telão, a frase que ele disse no Grammy (“a única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”) se completou com um desfile de bandeiras para reforçar a mensagem de união em tempos de divisões e violências. Em meio à festa, o astro porto-riquenho mostrou com muita elegância que não chegou onde chegou por mero acaso.
Fonte: O Globo