• 8 de fevereiro de 2026

Anvisa investiga mortes por pancreatite, relacionadas a canetas emagrecedoras

Reprodução: Jacqueline Spotto/Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, 145 notificações de casos suspeitos de pancreatite associados ao uso de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Seis dessas ocorrências resultaram em morte, segundo dados do sistema oficial de monitoramento de eventos adversos, o VigiMed.

Os registros envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, utilizados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, para perda de peso. Entre os princípios ativos citados estão semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida, presentes em fármacos comercializados sob nomes como Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Trulicity, Saxenda, Victoza, Rybelsus e Xultophy.

Apesar das notificações, a Anvisa ressalta que o registro no sistema não comprova, por si só, uma relação causal entre o medicamento e a pancreatite, servindo como instrumento de farmacovigilância para identificar possíveis riscos e orientar medidas regulatórias.

De acordo com o levantamento, os casos foram registrados em diferentes unidades da federação, incluindo São Paulo, Paraná, Bahia e o Distrito Federal, indicando que as ocorrências não estão concentradas em uma única região do país. Considerando também dados provenientes de pesquisas clínicas, o total de ocorrências relacionadas à inflamação do pâncreas pode chegar a 225 casos.

A pancreatite aguda já é descrita nas bulas desses medicamentos como uma reação adversa possível, ainda que considerada incomum. O GLP-1, hormônio que inspira essa classe de fármacos, é produzido naturalmente no intestino após as refeições e atua na regulação da glicose, no estímulo à produção de insulina e na sensação de saciedade.

Diante do aumento do uso dessas medicações e das notificações de efeitos colaterais, a Anvisa adotou medidas de controle mais rígidas. Desde abril de 2025, passou a ser obrigatória a retenção de receita médica para a venda das canetas emagrecedoras nas farmácias, com o objetivo de reduzir a automedicação e reforçar o acompanhamento profissional.

Em nota, a farmacêutica Eli Lilly, fabricante do medicamento Mounjaro (tirzepatida), afirmou que a segurança do paciente é prioridade e destacou que a bula já informa sobre o risco raro de pancreatite. A empresa orienta que pacientes procurem orientação médica ao identificar sintomas suspeitos e interrompam o uso do medicamento imediatamente nesses casos.

No cenário internacional, o Reino Unido registrou 1.296 notificações de pancreatite associadas ao uso dessas medicações entre 2007 e outubro de 2025, com 19 mortes confirmadas até o início de fevereiro deste ano.

Autoridades sanitárias reforçam que o uso desses medicamentos deve ocorrer apenas com prescrição e acompanhamento médico, especialmente diante da crescente popularização das canetas emagrecedoras para fins estéticos.

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