- 4 de fevereiro de 2026
Como drones estão ajudando o Pará a virar o jogo no combate a incêndios e queimadas na floresta
No estado do Pará, o combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, velhos desafios ambientais na Amazônia, começa a ganhar um aliado tecnológico que voa baixo, mas vê longe: os drones. Equipamentos cada vez mais utilizados para monitorar territórios extensos e de difícil acesso, eles se tornaram peças centrais em estratégias que unem velocidade, precisão e economia de recursos para proteger o patrimônio natural paraense.
Dados oficiais revelam que o Pará tem registrado queda consistente nos índices de desmatamento e queimadas, o que coincide com maior uso de tecnologias de observação e resposta rápida. Segundo o programa PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite), com base em imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o estado reduziu sua área desmatada de 2.395 km² em 2024 para 2.098 km² no período de agosto de 2024 a julho de 2025. Uma queda de 12,4% na taxa anual de desmatamento e representando a maior redução em área absoluta entre os estados da Amazônia Legal. Além disso, comparado com 2021, o recuo acumulado chega a impressionantes 60%, de acordo com a Agência Pará.
O sistema de alertas DETER (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real) monitora diariamente a cobertura nativa na Amazônia, Cerrado e Pantanal, via satélite e identifica em tempo quase real áreas sob risco de corte ou queimada. Por meio dele, o Pará registrou o menor nível de alertas de desmatamento da década, com 1.325 km² no período acumulado de agosto de 2024 a julho de 2025, o que indica um declínio de 21% em comparação ao período anterior e 66% em relação a 2020.
Em meses específicos, como junho de 2025, o estado chegou a registrar queda de 41% no total de alertas frente ao ano anterior, apontando que ações integradas estão surtindo efeito.
É nesse contexto que os drones entram como ferramentas estratégicas no monitoramento e no combate ao fogo e ao desmate. Equipados com sensores térmicos, câmeras de alta resolução e, em modelos mais avançados, sensores multiespectrais ou inteligência artificial, os drones conseguem identificar focos de calor, alterações no uso do solo e emissões de gases em áreas remotas, muito além da capacidade de patrulhas terrestres e com maior rapidez do que satélites que revisitam a mesma área com menos frequência.
No Pará e em municípios do entorno, drones vêm sendo usados em diferentes frentes. Na fiscalização ambiental e mapeamento de áreas de corte seletivo ou movimentações suspeitas de máquinas e caminhões ilegais em mata fechada. Na detecção precoce de focos de incêndio, com transmissão de dados em tempo real para equipes de combate, reduzindo o tempo de resposta. Na
coleta de dados sobre a saúde da floresta e emissões atmosféricas, fornecendo um retrato mais detalhado da paisagem e auxiliando decisões de gestores públicos e pesquisadores.
Esses equipamentos também ajudam a preencher lacunas deixadas por métodos tradicionais: enquanto satélites podem demorar dias para reavaliar uma área específica, os drones sobrevoam no ritmo que as operações exigem. E ao contrário de equipes no solo, evitam colocar agentes em risco em regiões inacessíveis ou perigosas.
No Pará, os drones são complementares ao esforço de órgãos como a Secretaria de Meio Ambiente, o IBAMA e programas estaduais de fiscalização integrada, transformando dados brutos em ações concretas de campo, como bloqueio de áreas desmatadas e combate direto às frentes de fogo.
Mais ao final da cadeia tecnológica, iniciativas de pesquisa e desenvolvimento em universidades brasileiras e centros nacionais também vêm ampliando o espectro de utilidade dos drones, incluindo medição de gases de efeito estufa e estudos de impacto ambiental detalhados, temas explorados em projetos nacionais e internacionais que veem os UAVs (Veículos Aéreos Não Tripulados) como centrais para respostas a emergências ambientais.
Enquanto alguns ainda pensam que “vigilância aérea” é só coisa de filme, no Pará os drones viraram vigilantes reais — voando baixo, vigiando alto, e de olho até no menor ponto quente da floresta.
