- 4 de fevereiro de 2026
Indígenas bloqueiam acesso a aeroporto de Santarém em pressão contra dragagem do rio Tapajós
Indígenas do Baixo Tapajós bloquearam, na tarde desta quarta-feira (4), o acesso ao Aeroporto Internacional de Santarém – Maestro Wilson Fonseca, no oeste do Pará. A ação integra a mobilização contra a dragagem do rio Tapajós e contra o Decreto nº 12.600/2025, que autoriza a concessão de hidrovias à iniciativa privada na Amazônia.
O bloqueio foi realizado por indígenas que ocupam, há cerca de duas semanas, a área em frente ao Porto da Cargill, em Santarém. Os manifestantes chegaram ao aeroporto por volta das 3h, em ônibus, e fecharam a principal entrada aérea da cidade como forma de ampliar a pressão sobre o governo federal e dar visibilidade às reivindicações dos povos da região.
A mobilização foi confirmada pelo cacique Gilson Tupinambá durante uma reunião com representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que contou com a participação de integrantes do Ministério dos Povos Indígenas, da Secretaria-Geral da Presidência e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O encontro, realizado nesta quarta-feira, teve como objetivo discutir as demandas dos povos do Tapajós.
Segundo as lideranças indígenas, o fechamento do aeroporto representa um “plano B” diante da ausência de respostas concretas do Executivo federal. Após 14 dias de ocupação em frente à Cargill, os manifestantes afirmam que não houve avanço nas negociações, nem compromisso com a revogação do decreto ou com a realização de consulta livre, prévia e informada sobre os empreendimentos previstos para o rio Tapajós.
Os povos indígenas denunciam que o decreto abre caminho para a dragagem e para a privatização do uso do rio, sem diálogo com as comunidades diretamente afetadas. Para o movimento, qualquer intervenção no Tapajós deve respeitar os direitos territoriais, culturais e ambientais de indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.
O bloqueio do aeroporto se soma a uma série de atos realizados desde o início da mobilização, como a interdição da entrada de caminhões no Porto da Cargill e manifestações públicas em Santarém e no distrito de Alter do Chão.