- 2 de fevereiro de 2026
Alô, Pará! Ligações entre municípios com o mesmo DDD passam a ter custo de chamada local; saiba como
Quem nunca pensou duas vezes antes de fazer uma ligação interurbana, com medo do susto na conta no fim do mês? Pois essa cena, típica da era do telefone fixo, começa a mudar. Cidades de todo o Brasil estão passando por modernizações no sistema DDD (Discagem Direta à Distância) que prometem simplificar a vida dos usuários e deixar as chamadas mais baratas — como se o país tivesse dado um passo à frente e encurtado as distâncias no mapa.
As mudanças já começaram pela Bahia e Sergipe e agora avançam pela região Norte e Nordeste, alcançando primeiramente os estados do Pará, Amazonas, Amapá, Roraima e Maranhão. A ideia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é modernizar a telefonia fixa: municípios que compartilham o mesmo DDD passam a se comunicar como se fossem vizinhos de bairro. Na prática, ligações entre essas cidades deixam de ser de longa distância e passam a ser cobradas como chamadas locais.
É uma transformação e tanto. O Brasil vai reduzir drasticamente o número de áreas locais da telefonia fixa: de mais de 4 mil para apenas 67. O número do telefone do usuário não muda, mas a forma de discar fica mais simples. Dentro do mesmo DDD, basta ligar direto para o número desejado — nada de código de operadora, nada de DDD. Uma economia de dígitos e, quem sabe, de paciência.
Dom Pedro II
O DDD, aliás, não é novidade. A Discagem Direta à Distância existe no Brasil desde 1962, quando foi implantada para facilitar ligações entre cidades sem a necessidade de passar por telefonistas. Desde então, o sistema virou parte da rotina nacional, quase tão natural quanto dizer “alô” ao atender o telefone.
Falando em mudanças marcantes, a mais recente que muita gente ainda lembra foi a inclusão do número 9 antes dos celulares, iniciada em 2012 e concluída alguns anos depois em todo o país. Na época, houve estranhamento, confusão e até piadas. Mas a alteração foi necessária para ampliar a quantidade de números disponíveis.
E se hoje discutimos DDDs e dígitos extras, vale lembrar como tudo começou. O primeiro telefone do Brasil foi instalado em 1877, no Rio de Janeiro, pouco depois de Dom Pedro II conhecer a novidade na Exposição da Filadélfia. Reza a história que o imperador ficou tão impressionado que tratou de trazer o aparelho para o país. Já no Pará, os primeiros registros de telefonia datam do final do século XIX, com as primeiras linhas instaladas em Belém, ainda de forma experimental e restrita a órgãos públicos e empresas. Números que hoje soariam quase poéticos pela simplicidade.
No fim das contas, a mudança no DDD é mais um capítulo dessa longa conversa entre o Brasil e o telefone. Se é verdade que a distância é aquilo que se mede em saudade, estar longe fica menos doloroso. Se depender da nova regra, pelo menos na conta telefônica, essa distância vai ficar bem menor.