- 1 de fevereiro de 2026
Comissão sobre Mortos critica BBB26 e compara Quarto Branco a tortura
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, divulgou uma carta aberta à produção do BBB26.
No documento, o órgão critica a dinâmica do Quarto Branco, que teria, segundo a entidade, ultrapassado os limites do entretenimento ao reproduzir tortura. Ainda, a Comissão compara os castigos do ambiente com práticas empregadas durante o período da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985). O documento também alerta para o risco de banalização do sofrimento físico e psicológico com o espetáculo televisivo.
“A nossa Constituição Federal, no seu Artigo 5º, é clara: a proibição da tortura e do tratamento degradante é um valor absoluto. Ao transformar esse tipo de sofrimento em espetáculo, a televisão brasileira falha com o seu dever social”, diz a carta.
Entre os assinantes da carta, está Vera Paiva, filha do deputado Rubens Paiva (1929-1971), assassinado durante o regime militar. O político teve a sua vida retratada no filme Ainda Estou Aqui, premiado no Oscar do ano passado.
Fundada em 1995, a CEMDP atua para legalizar e reconhecer os mortos durante o período da Ditadura no Brasil. Ela segue em atividade até hoje e foi reinstalada pelo Governo Federal em 2024, após ter sido interrompida em 2022.
O Quarto Branco teve fim no últim dia 18, quando a participante Rafaella Jaqueira desmaiou enquanto tentava se equilibrar em pé junto a seus concorrentes no programa. A disputa ultrapassou 120 horas, batendo o recorde no reality show. Antes disso, os participantes foram submetidos a barulhos e de água e comida limitadas no espaço.
Procurada, a Globo não se manifestou.