• 21 de janeiro de 2026

Belém registra baixa procura por vacinas e preocupa autoridades de saúde

Juliana Rosa/Ascom Sesma

A baixa adesão à vacinação tem acendido um alerta em Belém e preocupado as autoridades de saúde da capital. Mesmo com vacinas disponíveis nas unidades de saúde, a cobertura segue abaixo do necessário para garantir proteção coletiva, repetindo um cenário visto em todo o país e colocando em risco crianças, idosos e outros grupos mais vulneráveis.

A queda na procura enfraquece uma das principais formas de prevenção de doenças graves e aumenta a chance de surtos. Para a coordenadora do Programa de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Cleise Soares, o problema está ligado à falsa sensação de segurança e à desinformação sobre vacinas.

“A baixa procura, entre outras coisas, deve-se bastante a baixa percepção de risco da doença, bem como à dúvida que hoje paira acerca da efetividade das vacinas, devido a grande disseminação de notícias falsas acerca do assunto”, disse.

Entre os imunizantes com pior desempenho está a vacina contra a influenza, que registra apenas 12,60% de cobertura na capital. A campanha, iniciada em novembro de 2025, segue até 28 de fevereiro e é voltada a crianças pequenas, idosos e gestantes. A baixa adesão preocupa por atingir justamente os públicos com maior risco de complicações e mortes causadas pela gripe.

Outro dado que chama atenção é a vacinação contra a dengue, que alcança somente 15,65% de cobertura. O imunizante começou a ser aplicado no fim de 2025 e é destinado a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra altos índices de internação pela doença. Em uma cidade com histórico de surtos, a baixa procura é vista como um fator de risco.

Outras vacinas do calendário básico também apresentam índices abaixo do recomendado, como a meningo ACWY, a HPV4 e a poliomielite injetável. A redução da cobertura reacende o temor de retorno de doenças que estavam controladas ou erradicadas, como sarampo, coqueluche e poliomielite.

A hesitação vacinal afeta principalmente o público infantil, já que a decisão de levar a criança para vacinar depende dos pais ou responsáveis. A circulação de informações falsas, como a associação entre vacinas e autismo ou dúvidas sobre a eficácia de imunizantes mais recentes, continua afastando famílias das salas de vacinação.

O problema se agrava durante o inverno amazônico, período de chuvas intensas que favorece a disseminação de vírus respiratórios e doenças como a dengue. Nessa época, cresce a procura por atendimento médico e aumentam os casos graves, especialmente entre idosos e crianças.

Para tentar reverter o cenário, a Sesma reforçou a busca ativa por meio de agentes comunitários, além de manter as salas de vacinação funcionando em horário regular. Algumas unidades também operam em horário estendido e recebem ações especiais aos fins de semana, na tentativa de facilitar o acesso e ampliar a cobertura vacinal na capital.

“Todas as salas de vacinação do município seguem abastecidas e funcionam de segunda a sexta-feira, no horário de 8h às 12h e de 13h às 17h, com equipes preparadas para acolher a população e orientar sobre cada vacina. O Postão de Icoaraci é primeira unidade da rede a funcionar em horário estendido até as 22h, pensado especialmente para quem não consegue comparecer durante o horário convencional”, declarou a prefeitura.

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