• 9 de janeiro de 2026

Ibama desarticula esquema de madeira ilegal em Altamira e Uruará, e aplica multas de mais de R$ 15 milhões

(Divulgação / Ibama)

Uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) identificou e desarticulou um esquema de processamento, estocagem e transporte de madeira ilegal no Pará, com ações concentradas nos municípios de Altamira, no distrito de Castelo dos Sonhos, e em Uruará. As fiscalizações resultaram em autuações que ultrapassam R$ 15 milhões, aplicadas a serrarias irregulares e a empreendimentos que descumpriram embargos ambientais.

Em Castelo dos Sonhos, distrito de Altamira, uma serraria foi fiscalizada inicialmente em agosto de 2025 e flagrada operando sem licença ambiental e utilizando madeira sem comprovação de origem legal. O responsável foi multado em R$ 2 milhões, cerca de 8 mil metros cúbicos de madeira foram apreendidos e as atividades, embargadas.

No entanto, em nova vistoria realizada em dezembro do mesmo ano, o Ibama constatou a retomada das atividades ilegais. No local, foram encontrados 155 m³ de madeira em tora e 253 m³ de madeira serrada, o que resultou em nova multa de R$ 122 mil e na demolição das estruturas para impedir a continuidade da infração. Há indícios de que a madeira tenha sido retirada ilegalmente da Terra Indígena Baú e da área da Base Aérea da Serra do Cachimbo.

Em Uruará, agentes fiscalizaram quatro serrarias e identificaram irregularidades no processamento e armazenamento de madeira, incluindo suspeitas de “esquentamento” de produtos florestais oriundos de terras indígenas e unidades de conservação, especialmente da Terra Indígena Cachoeira Seca. As vistorias apontaram divergências entre os volumes declarados nos sistemas oficiais e a quantidade física encontrada nos pátios. Três empresas operavam com licença insuficiente e utilizavam madeira sem origem comprovada, enquanto uma funcionava de forma totalmente irregular.

Ao todo, foram apreendidos cerca de 4,3 mil m³ de madeira em tora e 1,1 mil m³ de madeira serrada. As empresas tiveram as atividades suspensas nos sistemas ambientais até a regularização, com parte do material destinada à doação e outra inutilizada. Somente nessa etapa, as multas aplicadas somaram R$ 13,7 milhões.

Em ação integrada com a Polícia Rodoviária Federal, o Ibama também abordou caminhões na BR-230, a Transamazônica, em Uruará. Os veículos transportavam 156 m³ de madeira serrada beneficiada sem a documentação ambiental exigida. A carga foi apreendida e destinada à doação, enquanto os caminhões ficaram sob responsabilidade dos condutores, conforme prevê a legislação ambiental.

Segundo o Ibama, as fiscalizações fazem parte de uma estratégia para combater a ilegalidade em toda a cadeia produtiva da madeira, desde a extração até o transporte, além de coibir fraudes nos sistemas de controle ambiental. A operação foi conduzida pelo Grupo de Combate ao Desmatamento da Amazônia (GCDA) e incluiu o fechamento de empreendimentos irregulares, apreensão de grandes volumes de madeira e demolição de estruturas clandestinas em áreas pressionadas pelo desmatamento ilegal.

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