- 7 de janeiro de 2026
Warner rejeita oferta de US$ 108 bilhões da Paramount e mantém acordo com a Netflix
O conselho de administração da Warner Bros. Discovery rejeitou por unanimidade a oferta de US$ 108,4 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) apresentada pela Paramount Skydance para a compra do estúdio. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (7) e reafirma o apoio da empresa ao acordo de fusão firmado com a Netflix, considerado mais seguro e vantajoso para os acionistas.
Segundo a Warner, a proposta revisada pela Paramount em 22 de dezembro de 2025 não atende aos critérios de uma “proposta superior”, conforme previsto no acordo assinado com a Netflix no início do mês. Com isso, a empresa recomendou formalmente que seus acionistas rejeitem a investida.
Oferta hostil e riscos financeiros
A oferta da Paramount foi classificada como hostil, por ter sido feita sem o apoio da diretoria ou do conselho da Warner e direcionada diretamente aos acionistas. A investida ocorreu após a Netflix anunciar um acordo de US$ 72 bilhões para adquirir os estúdios de TV e cinema da Warner e sua divisão de streaming.
Mesmo com a entrada do cofundador da Oracle, Larry Ellison, que ofereceu uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões em financiamento via ações para sustentar a proposta, o conselho da Warner manteve a rejeição. Para a empresa, o modelo de financiamento da Paramount envolve risco elevado, por depender fortemente de endividamento.
Em comunicado, o presidente do conselho da Warner Bros. Discovery, Samuel A. Di Piazza Jr., afirmou que a proposta da Paramount oferece valor insuficiente e pouca proteção aos acionistas caso a operação não seja concluída.
Dívida bilionária e incertezas
De acordo com a avaliação do conselho, a aquisição deixaria a Warner com uma dívida estimada em US$ 87 bilhões, tornando a operação a maior compra da história financiada majoritariamente por empréstimos. A empresa destacou ainda que a Paramount teria de captar recursos em volume muito superior ao seu próprio tamanho, o que aumentaria significativamente o risco de a transação não se concretizar.
A Warner informou que enviou uma carta aos investidores detalhando os motivos da decisão e reforçou que seguirá com o plano de fusão com a Netflix, considerado o melhor equilíbrio entre retorno financeiro e segurança.
Disputa pelo controle de um gigante do entretenimento
O acordo com a Netflix avalia a Warner Bros. Discovery em cerca de US$ 82,7 bilhões, com aproximadamente US$ 72 bilhões destinados diretamente aos acionistas. A operação permitiria à Netflix ampliar sua produção própria, expandir a atuação em áreas como games e eventos ao vivo e manter os lançamentos da Warner nos cinemas.
A disputa vai além dos números. Quem assumir o controle da Warner passará a deter um dos catálogos mais valiosos de Hollywood, com grandes franquias, produções da HBO e o HBO Max, em um mercado de streaming cada vez mais competitivo.