• 6 de janeiro de 2026

Jovem morre após contrair doença de chagas e família suspeita de local interditado em Ananindeua

Reprodução

A morte de um jovem de 26 anos, morador de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, está sob suspeita relacionada a um local de venda de açaí interditado na Cidade Nova 6, depois de denúncias. A família acredita que o jovem faleceu depois de contrair a Doença de Chagas dias depois de ingerir o fruto na empresa onde trabalhava e levantou suspeitas de contaminação por doença de Chagas associada ao consumo de açaí vendido em um estabelecimento do conjunto Cidade Nova 6.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua (Sesau), equipes da Vigilância Sanitária estiveram no ponto denunciado, realizaram análises técnicas e interditaram, de forma preventiva, o estabelecimento sob investigação. A medida, segundo a prefeitura, visa proteger a saúde da população até a conclusão dos procedimentos técnicos. A pasta também detalhou que confirmou três casos de doença de chagas nos últimos dias e que uma pessoa está hospitalizada. Todos os casos foram contraídos por via oral.

A Sesau informou ainda que o estabelecimento citado pela família do jovem não cumpria as normas sanitárias e não possuía equipamentos adequados para a produção segura do açaí. Ao todo, dez pontos de venda irregulares foram notificados na região metropolitana de Ananindeua, segundo a pasta municipal.

A vítima foi identificada como Ronald Maia. Segundo o pai, Ronaldo Maia, o jovem ficou internado por sete dias no pronto-socorro da avenida Augusto Montenegro. “Os médicos disseram que era pneumonia, depois falaram em outra coisa. Quando definiram que era doença de Chagas, o quadro já estava muito complicado”, relatou.

Ainda segundo a família, o açaí teria sido comprado no único ponto de venda próximo à empresa onde Ronald trabalhava, local que foi interditado pelas autoridades sanitárias, é o que suspeita a família. Um colega de trabalho do jovem também foi diagnosticado com a doença.

A Secretaria de Saúde de Ananindeua informou que não havia registro oficial, até o momento, da morte associada ao consumo do açaí investigado, mas confirmou que uma pessoa segue em observação em uma unidade hospitalar. A prefeitura reforçou que realiza vistorias periódicas nos pontos de comercialização de açaí e que continua acompanhando os casos, prestando assistência às pessoas afetadas.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informou que a Coordenação de Combate à Doença de Chagas teve conhecimento da informação sobre um possível caso da doença no município de Ananindeua. No entanto, até o momento, não há registro oficial no sistema de informações em saúde, procedimento necessário que deve ser feito pelo município. A Sespa também informou que atuou de forma intensiva no monitoramento da situação, realizando reuniões frequentes com a Secretaria Municipal de Saúde e oferecendo suporte técnico para a execução das ações de vigilância, que são de responsabilidade do município.

Procurada, a Prefeitura de Ananindeua informou que recebeu a notificação de óbito do jovem. Também informou que, no momento, aguarda mais informações para o esclarecimento do caso e ressaltou que a Vigilância em Saúde já iniciou uma investigação local.

De acordo com os dados registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), o Pará registrou 470 casos de Doença de Chagas em 2025, e nenhum caso, até o momento, em 2026.

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