• 27 de dezembro de 2025

Carla Zambelli troca de cela em Roma após ser agredida por outras detentas, diz site

Reprodução: Nino Cirenza/ATO Press/Estadão Conteúdo

Presa em Roma após fugir do Brasil para não cumprir pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) trocou de cela depois de sofrer agressões de outras detentas na unidade penitenciária onde está custodiada. Segundo a defesa, os ataques ocorreram ao menos três vezes antes do mês de setembro.

De acordo com o advogado da ex-parlamentar, Fábio Pagnozzi, Zambelli chegou a relatar as agressões à administração do presídio italiano, mas nenhuma providência teria sido tomada inicialmente. A justificativa apresentada pela unidade, segundo a defesa, foi a alta rotatividade de presas no local. As informações foram divulgadas pelo site Metrópoles.

Diante do risco à integridade física de Zambelli, os advogados solicitaram a mudança dela de cela. O pedido foi aceito, e a ex-deputada foi transferida do andar térreo para um pavimento superior da penitenciária.

Carla Zambelli está presa na Itália após deixar o Brasil para evitar o cumprimento da pena de 10 anos de reclusão à qual foi condenada pela Primeira Turma do STF. Ela foi considerada culpada por participação na invasão, junto a um hacker, dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

No dia 14 de dezembro, Zambelli comunicou oficialmente à Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados a renúncia ao mandato parlamentar. Com a formalização do pedido, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou a convocação do suplente Adilson Barroso (PL-SP), que deve assumir a vaga conforme o regimento interno e a legislação eleitoral. A renúncia foi a estratégia adotada pela ex-deputada para evitar a cassação do mandato.

Nas redes sociais, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), classificou a decisão como “estratégica” diante do que chamou de decisão “vergonhosa” do STF.

Em 11 de dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, anulou a decisão da Câmara dos Deputados que havia mantido o mandato de Zambelli e determinou a perda imediata do cargo. A medida foi confirmada de forma unânime pela Primeira Turma da Corte.

Anteriormente, o plenário da Câmara havia analisado a representação pela cassação do mandato. Na votação, 227 deputados se posicionaram a favor da cassação, 110 foram contrários e 10 se abstiveram. Como o resultado não atingiu os 257 votos necessários, o processo acabou arquivado.

Na decisão, Moraes afirmou que, conforme a Constituição Federal, cabe ao Poder Judiciário decretar a perda do mandato de parlamentar condenado criminalmente com trânsito em julgado, restando à Mesa da Câmara apenas declarar a perda do cargo por meio de ato administrativo. Para o ministro, a deliberação do plenário da Casa violou os artigos 55, incisos III e VI, da Constituição Federal, sendo, portanto, nula por inconstitucionalidade.

Antes que novas providências fossem adotadas pela Câmara, Carla Zambelli formalizou a renúncia ao mandato.

Fonte: Metrópoles.

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