- 16 de dezembro de 2025
Em operação que mira deputado Antônio Doido, PF encontra na grama celulares jogados pela janela
Ao cumprir mandado de busca e apreensão no apartamento funcional do deputado federal Antônio Doido (MDB-PA), em Brasília, a Polícia Federal encontrou no gramado do prédio celulares que foram jogados pela janela durante a ação policial. O parlamentar é alvo de uma operação que apura crimes de corrupção exercidos por uma organização composta por agentes públicos e privados.
Conforme a investigação, os suspeitos cometiam fraudes em licitações para desviar recursos públicos. Os valores obtidos com os desvios eram usados para pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio. Estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Pará e no Distrito Federal. A reportagem tenta contato com o deputado.
O caso se refere a um inquérito aberto por determinação do o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto, para investigar Antônio Doido por suspeita de desviar dinheiro de contratos públicos do governo do Pará, sendo um deles relacionado a uma obra da COP30 que seria realizada em Belém. A investigação estava na Justiça Eleitoral do Pará, mas foi remetida ao Supremo por envolver o parlamentar, que tem foro privilegiado.
Duas empresas investigadas foram registradas no nome da mulher do parlamentar e de um “gerente” de uma fazenda do deputado. A PF considerou que eles atuavam como “pessoas interpostas” de Antônio Doido. O contrato sob investigação se refere a uma licitação de obras no Canal do Bengui, em Belém, que custaria R$ 142 milhões.
“Conforme registra a autoridade policial, constata-se a possível atuação de organização criminosa, que ‘utiliza um complexo e sofisticado mecanismo de lavagem de dinheiro, proveniente de desvios de recursos públicos, mediante o suposto pagamento de vantagens indevidas para servidores públicos'”, escreveu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em manifestação enviada em fevereiro.
O contrato sob investigação se refere a uma licitação de obras no Canal do Bengui, em Belém, que custaria R$ 142 milhões. O Governo do Pará, comandado por Helder Barbalho (MDB), listou a obra como um dos empreendimentos previstos da COP30, conferência internacional do clima que acontecerá em Belém, em novembro.
“O Governo do Pará reitera que não foi acionado ou notificado sobre qualquer procedimento investigativo relacionado às contratações citadas e que, caso isso ocorra, adotará imediatamente as medidas cabíveis e apresentará todas as informações necessárias para a apuração dos fatos, reafirmando seu compromisso com a probidade e a transparência na gestão pública”, diz nota enviada pelo governo em agosto.
O contrato relacionado a obras de melhorias para a COP30 foi anulado pela gestão Helder. A PF diz que isso se deu “possivelmente em razão de sucessivas denúncias que questionavam a lisura do procedimento licitatório”. O governo estadual, por outro lado, afirmou que as razões foram “estritamente técnicas”.
Em outubro de 2024, o caseiro do deputado Antônio Doido, que figura como sócio administrador de uma das empresas investigadas, foi preso em flagrante suspeito de integrar um suposto esquema de compra de votos.
Acompanhado de um coronel e um soldado da Polícia Militar do Pará, ele foi pego durante um saque de R$ 5 milhões em dinheiro vivo dois dias antes das eleições municipais daquele ano. Na ocasião, o deputado Antônio Doido disputou a prefeitura de Ananindeua (PA) e o seu irmão, o comando da cidade de Ourém (PA). Segundo a PF, a “operação ilícita” se destinaria a custear a campanha desse irmão. No fim, os dois acabaram perdendo as eleições.
Fonte: O Globo.