- 8 de dezembro de 2025
Delegado da PCPA é proibido de ter contato com esposa, também delegada, após acusação de violência doméstica
O juiz plantonista João Augusto de Oliveira Junior determinou a aplicação de medidas protetivas de urgência contra o delegado da Polícia Civil do Pará, Sinélio Ferreira de Menezes Filho. A decisão atende a um pedido feito pela delegada da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), Joselma Nunes Alves de Menezes, que é esposa do acusado e o denunciou por violência doméstica.
O mandado judicial estabelece uma série de restrições importantes ao delegado investigado. Entre as determinações, o magistrado ordenou o afastamento compulsório do lar e a proibição de se aproximar da ofendida, seus familiares e testemunhas, exigindo uma distância mínima de 100 metros. Também foi proibido qualquer tipo de contato por meio de comunicação, além de ser vedada a frequência à residência da requerente e à academia que ela utiliza, especificamente no Clube Assembleia Paraense.
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As medidas incluem ainda a restrição do porte de arma do delegado, exceto quando ele estiver comprovadamente no exercício de sua função policial. A ocorrência policial que gerou o pedido foi registrada pela delegada Joselma Nunes no dia 15 de novembro, quando ela compareceu à DEAM para relatar a agressão física cometida pelo marido. O casal está junto há quase trinta anos, mas a convivência tem sido marcada por um histórico longo de conflitos e violência psicológica e moral.
A delegada relatou que, mesmo atuando profissionalmente na DEAM, hesitou em registrar ocorrências anteriores por receio e dificuldades emocionais em denunciar o marido. Ela alegou que, desde o tempo em que os filhos eram pequenos, o delegado exibia um comportamento agressivo dentro de casa, com gritaria, intimidação e a destruição de objetos. Embora a violência verbal e psicológica tenha se tornado constante ao longo dos anos, com tentativas de intimidação física, as agressões físicas mais graves se concentraram no dia 15 de novembro.
No dia dos fatos, após uma discussão motivada por questões domésticas, a delegada iniciou a filmagem da situação com o celular para tentar conter a agressividade do marido. Joselma Nunes afirmou que o delegado investiu contra ela para tomar o aparelho, empurrando-a com força, rasgando seu vestido e a fazendo colidir contra o painel da televisão, o que lhe causou ferimentos. Ao cair no chão da sala, durante a tentativa de se afastar com o telefone, ela sofreu uma lesão no punho.
O primeiro incidente de empurrão teria sido presenciado pelo filho, enquanto a segunda queda, no chão da sala, foi vista pela diarista que estava na residência. Após as agressões, o delegado teria continuado a ameaçar o filho, inclusive com a frase “se tu dormir aqui hoje eu vou te dar um tiro”, o que motivou a vítima a deixar a residência com o filho para requerer as medidas protetivas, prontamente deferidas pela Justiça.