- 5 de novembro de 2025
Queda na vacinação aumenta riscos no Pará e mortes de crianças por doenças evitáveis voltam a assustar o Brasil
A cobertura vacinal contra doenças como sarampo, febre amarela, HPV e meningite está abaixo da meta recomendada pelo Ministério da Saúde em todo o Brasil. No Pará, são preocupantes os números da cobertura contra a gripe, que está em torno de 30%, bem abaixo dos 90% indicados.
Já contra a meningite, desde 2020 o Pará não atinge a marca de 70% na cobertura vacinal, com índices caindo para cerca de 60% em anos recentes. O governo estadual, por meio da Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), tem promovido campanhas de vacinação, inclusive nas escolas, para tentar resgatar a cobertura vacinal.
Apesar dos esforços, houve aumento no número de casos importados de sarampo, registrado em 2025, refletindo a importância de manter altas taxas de imunização para evitar a reintrodução da doença. A Sespa destaca a importância do cumprimento do calendário vacinal para a prevenção de várias doenças graves e a manutenção da saúde pública.
A vacinação contra a gripe está em cerca de 30% da população, abaixo da meta de 90%. A cobertura vacinal contra meningite está em torno de 60% nos últimos anos. Casos importados de sarampo foram confirmados em 2025, gerando alerta. Essa situação aumenta a vulnerabilidade da população a doenças que poderiam ser evitadas.
No Brasil
O número de crianças menores de cinco anos que morrem por doenças evitáveis pela vacinação teve um novo salto no Brasil em 2024, chegando a 48 óbitos, de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidde (SIM), do Ministério da Saúde.
Pelo terceiro ano consecutivo o número subiu. Em 2021, foram registradas apenas 15 mortes. O aumento de 220% em apenas três anos coincide com a queda das coberturas vacinais. Somente entre 2023 e 2024, o aumento foi de 50%. Entre os anos de 2020 e 2021, por causa do uso de máscaras e isolamento social na pandemia, todas as doenças de transmissão respiratórias registraram queda em casos e mortes, como mostra uma reportagem do portal UOL.
A principal responsável pelas mortes infantis foi a coqueluche, uma infecção respiratória que não matava mais crianças no Brasil desde 2021. Os 21 casos de mortes assustam a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), especialmente porque a imunização com a vacina pentavalente, aos 2,4 e 6 meses, previstas no calendário de vacinação infantil, poderia prevenir todos os casos.
A baixa cobertura vacinal aumenta o risco de retorno de doenças que estavam controladas ou até erradicadas, como sarampo e poliomielite. Casos e surtos dessas doenças já foram observados em países vizinhos e representam um risco real para o Brasil.
Desde 2016, as taxas de vacinação no país têm diminuído, e em 2023, nenhum estado brasileiro atingiu a meta de 95% de cobertura vacinal recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso, milhões de crianças correm risco devido à exposição a doenças que a imunização poderia facilmente evitar, resultando em maior vulnerabilidade e riscos à saúde pública.
Infelizmente, a disseminação de informações incorretas e movimentos antivacina têm um impacto significativo na hesitação dos pais e responsáveis em levar os filhos para vacinar. Em 2019, o Pará ainda tinha cobertura vacinal média relativamente alta, mas passou a registrar declínios significativos, especialmente a partir de 2020, com reduções acumuladas superiores a 10%. A pandemia de Covid-19 e a hesitação associada a fatores como desabastecimento de vacinas, fake news e dificuldades no sistema de informação impactaram fortemente a imunização no estado.