• 3 de novembro de 2025

Aeroporto de Val de Cães é ampliado, mas a logística ainda é um desafio a ser vencido em plena COP30

Reprodução/Agência Pará

O aeroporto internacional de Val de Cães, em Belém, é o epicentro de um dos maiores desafios criados pela COP30. Estima-se que a Conferência do Clima da ONU trará à capital paraense mais de 50 mil participantes estrangeiros. Mas há apenas seis rotas internacionais regulares chegando ou saindo de Belém, nenhuma delas diária.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), há uma oferta de assentos 44% maior que no mesmo período do ano passado, mas ela só atende a cerca de 11% da demanda inflada a partir da COP30. O jornalista Fernando Nakagawa, em seu blog na CNN, lembra que, em novembro, estão programados 31 voos internacionais, que somam 5.610 assentos, o que representa quase 10% da demanda esperada para a conferência.

Preocupação

A gestão deste fluxo ampliado será testada na prática durante todo o mês. Mesmo após a inauguração da ampliação do aeroporto, que trouxe o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva para cortar a fita, ainda é preocupante a expectativa de aumento de 100% no fluxo de passageiros, que deverá chegar a 508 mil, entre embarques, desembarques e conexões.

O número de voos programados vai crescer 57% no período da COP30, entre os dias 1º e 23 de novembro. Serão mais de 3.100 voos, com 90% deles internacionais.

Atualmente, há apenas seis voos internacionais para o aeroporto de Val de Cães, o que representa 0,20% do fluxo estrangeiro do Brasil. Embora seja o mais movimentado da região Norte, Val de Cães é apenas o 14º do país, segundo a classificação da Agência Nacional de Aviação Civil.

Entre as ligações atuais, há voos para dois destinos na Flórida (EUA), Fort Lauderdale e Miami, mas um voo apenas para a Europa, com destino a Lisboa. Também há ligações na América do Sul, com Bogotá, na Colômbia, Caiena, na Guiana Francesa, e Paramaribo, no Suriname.

Nas rotas domésticas, o destino mais frequente é São Paulo, com quase dez voos por dia para Guarulhos e Campinas, além de Brasília, Manaus e Macapá e um voo diário sem conexão para o Rio de Janeiro. Agora em novembro, serão oferecidos 245,7 mil assentos em ligações domésticas para Belém, em cerca de 1.395 voos.

Agilidade

A ampliação do Aeroporto de Val de Cães incluiu um novo terminal de passageiros e foram investidos 450 milhoes de reais. A capacidade dobrou de 7,7 milhões para 13 milhões de passageiros por ano.

O desafio, além do tamanho, é a operação na chegada de passageiros e cargas. Será preciso mais agilidade, segurança e conforto além de melhorias no transporte de cargas internacionais, num volume nunca experimentado por aqui.

A reforma ainda ficou devendo uma ampliação da área externa para fluxo de veículos e pedestres, que cresceu cerca de 60%, mas ainda deixa a desejar. Além disso, também será necessária a modernização tecnológica e a implementação de  sistemas avançados para controle de tráfego aéreo.

Fora isso, a infraestrutura integrada de mobilidade urbana precisa avançar para evitar gargalos de trânsito e carência de oferta de ônibus, levando-se em conta os hstóricos e lamentáveis congestionamentos de Belém.

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