- 18 de agosto de 2025
Hytalo Santos fazia festas com ‘bebida à vontade’ para menores e recebia malas com dinheiro e joias
Ex-funcionários de Hytalo Santos, preso na última sexta-feira por suspeita de tráfico humano e exploração sexual infantil, afirmam que as festas na casa do influenciador digital tinham bebida alcoólica liberada para adolescentes. Além disso, eles alegam já ter visto malas com dinheiro em espécie e joias na residência de Hytalo, que, segundo os ex-funcionários, também controlava até a ida dos menores à escola. As declarações foram concedidas em anonimato ao programa Fantástico, da TV Globo.
“Eu presenciei muita festa, bebida, e a bebida era à vontade para todo mundo. Todos bebiam, sem restrição”, afirmou um dos ex-funcionários, em entrevista divulgada neste domingo.
Conforme relatos, o influenciador digital exercia um controle rígido sobre a rotina dos menores. Além das festas constantes, os ex-funcionários também declararam que Hytalo limitava a ida dos jovens à escola caso surgisse “alguma agenda” para trabalhos.
De acordo com o Fantástico, os menores que viviam com o influenciador digital têm faltas e atrasos escolares constantes, com ausências de até 50 dias consecutivos. Ainda segundo o programa, uma adolescente teria engravidado enquanto morava na casa de Hytalo.
“Já teve filmagens que ele fez pra postar na rede social que as crianças estavam indo pra escola e, após desligar as câmeras, elas não iam. Ou, se acontecesse de eles irem para a escola e surgir alguma agenda ou algo que precisasse de um deles, eles iriam lá simplesmente para pegar a criança”, relatou outro ex-funcionário.
O paraibano é investigado em duas ações no Ministério Público da Paraíba, em João Pessoa e Bayeux, e numa apuração do Ministério Público do Trabalho. Ele foi um dos nomes denunciados no vídeo sobre “adultização” de Felipe Bressanim, o Felca, que atingiu milhões de visualizações no YouTube e mobilizou parlamentares a discutirem novas regras para a proteção de jovens na internet.
O que diz o MP
Na sexta-feira, o Ministério Público da Paraíba disse, em nota, que “as investigações têm por objeto os crimes de tráfico humano e exploração sexual infantil. As apurações criminais vêm sendo conduzidas com rigor técnico e absoluto respeito aos direitos e à dignidade das vítimas, especialmente crianças e adolescentes”.
Segundo o MP, “o caso exige tratamento responsável, sem sensacionalismo e com máxima proteção à intimidade das vítimas, sobretudo no enfrentamento à exploração sexual, em especial no ambiente digital”.
O que diz a defesa
Em nota divulgada na semana passada, a defesa do influenciador reafirmou a inocência do cliente e disse que ele “sempre se colocou à disposição das autoridades”. A informação das prisões foi revelada pela GloboNews e confirmada pelo GLOBO. Os mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da 2ª Vara da Comarca de Bayeux. O magistrado considerou que os acusados destruíram provas e obstruíram as investigações.