• 30 de julho de 2025

Profissão Repórter e os bastidores da COP30: programa expõe os dilemas do evento na capital paraense

Reprodução/TV Globo

 A 30ª Conferência da ONU sobre o Clima (COP30) ainda nem começou, mas já gera expectativas em Belém. A edição desta terça-feira (29) do Profissão Repórter percorreu diversos bairros da capital paraense e revelou um dilema: o evento é benéfico como um todo ou é apenas uma “maquiagem” dos problemas que a cidade enfrenta?


A reportagem comandada por Caco Barcellos expôs um cenário complexo. Em meio ao discurso de desenvolvimento e à expectativa de receber mais de 50 mil visitantes em novembro, Belém vive uma corrida contra o tempo. Há obras por toda parte – da revitalização da antiga área portuária, agora chamada de Nova Doca, até a reestruturação do Parque da Cidade, que será o palco principal das negociações climáticas da COP30.

O programa foi além das fachadas reformadas. Um dos pontos de destaque foi a Vila da Barca, onde os repórteres mostram a dura realidade de quem vive sem saneamento básico e água potável. O bairro é um dos muitos exemplos de como a capital paraense ainda carrega problemas históricos – que pouco dialogam com o discurso de sustentabilidade que o evento prega.

Outro foco foi a Avenida Liberdade, nova via que ligará Belém à Alça Viária e tem como objetivo ser um novo ponto de escoamento da capital, além da BR-316. A obra tem gerado polêmica desde o início, especialmente por atravessar áreas ambientais sensíveis. Segundo a matéria, a devastação no entorno já atinge o equivalente a 100 campos de futebol, afetando diretamente comunidades tradicionais que vivem do extrativismo e da pesca.

A equipe ouviu relatos de moradores que tiveram suas casas demolidas e receberam indenizações consideradas baixas. Um deles relatou que um rio que cortava a região foi soterrado por uma ponte, alterando o tráfego e a vida local. Além da Vila da Barca, o bairro da Terra Firme também foi citado como área impactada pelas desapropriações. O sentimento é de incerteza: muitos foram obrigados a sair sem saber se terão onde ou como recomeçar.

Apesar disso, há quem enxergue oportunidade. As obras têm gerado emprego, especialmente na construção civil, e há expectativa no comércio e nos serviços com a chegada dos turistas. Muitos moradores, inclusive, já reformam suas casas para alugar quartos e aproveitar o movimento.Para que a COP30 deixe um legado verdadeiro, é preciso olhar além do asfalto novo e das fachadas pintadas ou mesmo oportunidades que surgem. É preciso incluir quem sempre foi excluído –  moradores das periferias, comunidades ribeirinhas, indígenas. Caso contrário, Belém pode sair da COP30 mais conhecida, mas com feridas ainda mais abertas.

Relacionadas

Tenente-coronel acusado de matar esposa será julgado por júri popular

Tenente-coronel acusado de matar esposa será julgado por júri…

O Supremo Tribunal de Justiça decidiu nesta terça-feira (28) que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a…
Paraense subtenente da PM de Roraima morre em acidente com viatura da Força Nacional na Transamazônica

Paraense subtenente da PM de Roraima morre em acidente…

O paraense Emmanuel Dias Santos, subtenente da Polícia Militar de Roraima, morreu após um acidente com uma viatura da Força Nacional…
Júri absolve esposa acusada de matar guarda municipal em Belém por maioria dos votos

Júri absolve esposa acusada de matar guarda municipal em…

Por maioria dos votos, os jurados absolveram Suellem Kelly Tavares Vasconcelos da acusação de homicídio qualificado contra o marido, o guarda…