• 29 de julho de 2025

A três dias do tarifaço, falta de diálogo com Trump faz adiamento ser visto praticamente como inviável pelo governo Lula

Divulgação/AFP

A falta de comunicação com os Estados Unidos reforça a percepção, do lado do Brasil, que a sobretaxa de 50% sobre as exportações de produtos brasileiros para o mercado americano vai mesmo vigorar a partir da próxima sexta-feira. Até o momento, as negociações entre os dois países se mantêm travadas, sem perspectiva de avanço.

Ao anunciar a medida no início deste mês, o presidente americano, Donald Trump, apontou três justificativas: a “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Judiciário brasileiro; a regulação das grandes empresas de internet pelo Supremo Tribunal Federal (STF); e a existência de um saldo favorável ao Brasil, o que não é verdade.

Desde o anúncio de Trump e sua intenção de interferir em assuntos internos do Brasil, várias tentativas de contatos com o governo americano foram feitas, sem resultado. A única exceção foi uma conversa telefônica, há pouco mais de uma semana, entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, cujo conteúdo não foi relevado.

No fim de semana, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou em Nova York, para participar de uma reunião da ONU sobre a situação na Palestina. O chanceler do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez chegar ao governo americano que estaria disposto a ir até Washington, para um encontro de alto nível com o chefe da diplomacia daquele país, Marco Rubio, ou o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer. Não houve resposta.

Mauro Vieira voltará ao Brasil na tarde desta terça-feira. Na parte da manhã, o chanceler terá encontros bilaterais com autoridades da Jordânia, do Senegal e da Palestina. Segundo interlocutores, o governo brasileiro deixou claro que o contato com Vieira poderia ser presencial, por telefone ou por videoconferência.

Também está nos EUA uma missão de senadores brasileiros com o objetivo de ajudar a destravar as negociações. Até o momento, a expectativa é que eles se reúnam com empresários e parlamentares americanos.

As incertezas sobre o que vai acontecer na sexta-feira ficaram maiores com a falta de informações da Casa Branca. Trump afirmou, na segunda-feira, que os países que ainda não fecharam acordos com os EUA ficarão com tarifas de até 15%. Mas não esclareceu se o Brasil entraria nessa lista.

Se depender do governo brasileiro, as negociações com os EUA devem ter como foco a questão comercial. No entanto, o mandatário americano deixou claro que o tratamento dado a Bolsonaro — sobre o qual pesa a acusação de tentativa de golpe de Estado — terá de ser discutido.

Os EUA também devem insistir em um acordo para o fornecimento dos chamados materiais críticos e estratégicos pelo Brasil. Foi o que ficou acertado com a Indonésia, por exemplo. Elementos como o Lítio, o Nióbio e terras raras são fundamentais na disputa com a China pelo domínio tecnológico.

*Com informações de O Globo

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