• 9 de dezembro de 2025

2025 pode se tornar um dos anos mais quentes da era moderna; Pará já sente o impacto

O ano de 2024 foi oficialmente reconhecido como o ano mais quente da história recente. Segundo monitoramentos climáticos globais, a temperatura média da Terra superou 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, um marco histórico e um sinal de alerta para todo o planeta, emitido pelo observatório europeu Coperncus. 

Mas já há especialistas alertando que os próximos anos, até 2029, têm alta probabilidade de superar esse recorde novamente. Para o Brasil, e particularmente para o Pará, palco recente da COP30, essa tendência de aquecimento global soma-se a fatores regionais. 

O desmatamento e as alterações nos ciclos de chuva  tornam ainda mais graves dois problemas que já fazem parte da rotina dos paraenses: calor extremo e seca prolongada.

Seca e calor

O nosso estado registrou um dos piores cenários de estiagem da Amazônia em 2024, de acordo com a análise da InfoAmazôna, com base em dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais. Mais da metade dos municípios enfrentou seca em algum momento, com 63% atingidos por seca severa e cerca de 10% por seca extrema. 

Os impactos foram sentidos de forma generalizada: solo e vegetação ressecados, baixos níveis de rios, isolamento de comunidades ribeirinhas e alta vulnerabilidade a incêndios florestais. 

Além disso, em 2024, o Pará teve o maior número de cidades no Brasil com calor extremo — 46 municípios — afetando mais de 4 milhões de pessoas. 

Os exemplos vêm do dia a dia. Belém, a capital paraense, registrou 212 dias de calor extremo no ano, com máximas próximas a 37 °C. Melgaço, no arquipélago do Marajó, ficou à frente de Belém no ranking, com 228 dias de calor extremo e máximas que chegaram a cerca de 39 °C. 

Regiões especialmente vulneráveis foram o oeste e sudeste do estado, bem como partes do Baixo Amazonas, Calha Norte e Centro-Norte — locais onde a seca chegou a níveis graves. 

Também houve consequentes impactos sociais e de saúde. Municípios como São Félix do Xingu, Altamira, Itaituba, Novo Progresso, Prainha, Portel e Chaves estiveram entre as localidades mais afetadas, com aumento de doenças respiratórias e diarreicas, além de dificuldade de acesso a água e serviços de saúde. 

Vai piorar

Com base nas projeções da Organização Meteorológica Mundial (OMM), há 70% a 80% de chances de que os anos entre 2025 e 2029 superem os recordes atuais de calor. Isso significa que o adiamento do calor extremo, infelizmente, não é esperado. Muito pelo contrário. 

Para regiões como a Amazônia e o Pará, esse cenário aumenta a recorrência de secas severas, períodos prolongados de calor, risco de queimadas, piora da qualidade do ar e impactos diretos na saúde, na mobilidade e no abastecimento hídrico.

À população do Pará, cabe atenção especial. Especialmente, para os moradores de áreas urbanas como Belém e de municípios vulneráveis no interior. Recomenda-se evitar exposição prolongada ao sol, sobretudo entre 10h e 16h. Manter hidratação constante e evitar esforço físico excessivo nos horários de maior calor. Além disso, dar atenção à ventilação e à qualidade do ar, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.

Em áreas rurais, ribeirinhas ou degradadas por desmatamento, é importante, inclusive para as autoridades, monitorar fontes de água e evitar queimadas. E acompanhar alertas meteorológicos e de saúde pública, por meio de órgãos competentes.

Especialistas recomendam Deve-se reforçar ações de prevenção: monitoramento de seca, abastecimento de água, combate a queimadas, campanhas de saúde e educação climática. Especialmente em municípios atingidos com frequência por calor e estiagem.

Certeza irrefutável

O recorde de calor global de 2024, amplamente divulgado nesta terça-feira pelos principais veículos de notícias, não é apenas um dado abstrato. Se olharmos para os dados do Pará, com a devida atenção, vemos que ele já se traduz em sofrimento real para milhões de pessoas. E  o nosso estado é, sem exagero, um dos mais vulneráveis desta crise climática. Os alertas não faltaram na COP30. O problema é se foram ouvidos por quem deveria ouvir. 

Com as previsões apontando para anos ainda mais quentes e secos, só existe uma certeza irrefutável: é hora de preparar populações e territórios, e de agir já, para reduzir os impactos ambientais e sociais que vêm à sombra do calor extremo.

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