- 28 de dezembro de 2025
2025, o ano em que o futuro de Belém chegou antes de ficar pronto
Belém passou por 2025 como quem atravessa a sala com uma bandeja cheia: todo mundo olha, comenta, alguns aplaudem, outros fazem aposta para ver se cai. A natureza humana não é pura nem ingênua. A bandeja caiu e não caiu, dependendo do ângulo de quem postou, comentou ou noticiou.
No auge desse desfile anual, esteve a COP30. Belém virou sigla internacional, dessas que fazem o taxista arriscar inglês e o mapa-múndi encolher e ficar enxuto. O mundo descobriu que a Amazônia tem CEP, trânsito e fila. Tem abraço e tem incêndio – e nem estou falando da floresta. As manchetes celebraram: “capital da COP”, “vitrine do planeta”, “epicentro do debate climático”. E, como toda vitrine, veio com reflexo incômodo: obras aceleradas, tapumes otimistas, promessas em tempo recorde.
O sábio Stanislaw Ponte Preta diria que, no Brasil, o futuro é uma coisa que acontece antes de ficar pronta. Belém confirmou.
O meio ambiente, claro, foi personagem fixo. Teve o calor que derreteu o bom humor até dos mais contemplativos do Ver-o-Peso. Teve chuva criando córregos urbanos sob o asfalto mal drenado. Demais quando se esperava menos, e menos quando se esperava mais. O noticiário falou e disse sobre uma cidade que lembra ao país, com certa insistência, que clima não é tese — é cotidiano. Em 2025, Belém foi aula prática, sem data para prova final.
Nas editorias de polícia, Belém fez o que infelizmente sabe fazer como poucas: aparecer. Operações, estatísticas, episódios que pediam mais políticas públicas do que adjetivos. A cidade que sorri com os beiços trêmulos de jambu também range os dentes quando a segurança falha. O noticiário veio sério, sisudo, desses que não aceitam ironia — e ainda assim a ironia apareceu sozinha: como pode uma cidade tão falada ainda precisar se explicar tanto?
Mas nem só de tensão viveu a capital paraense em 2025. A arte deu o ar da graça e fez barulho bom. Shows, exposições, festivais e aquela velha habilidade de transformar esquina em palco. Em 2025, Belém seguiu exportando ritmo e imaginação, lembrando que cultura não é adereço: é infraestrutura, incentivo e muita vontade, ainda que não entre no PAC. Fernando Sabino talvez observasse que a alegria é uma coisa que a gente decide ter, mesmo quando o noticiário insiste em dizer o contrário.
No esporte, o clássico Re-Pa seguiu cumprindo sua função social: dividir famílias, reconciliar amigos e provar que o domingo ainda tem autoridade moral. Independentemente da tabela, Belém apareceu como aparece desde sempre: apaixonada, exagerada e absolutamente incapaz de assistir a um jogo em silêncio. Se houve vitória, foi épica; se houve derrota, foi injustiça histórica, dessas que pedem revisão. E o Leão teve sua vez de brilhar no acesso à série A, enquanto o Papão espera a próxima glória – e triunfo.
Polêmicas? Ah, essas não faltaram. Obra que atrasou, obra que correu, obra que ninguém entendeu direito. Discussões sobre mobilidade, sobre quem ganha e quem perde quando a cidade vira evento. Belém, em 2025, foi debate público em tempo integral — com comentaristas especializados em tudo, do clima global ao buraco da esquina, e na maioria das vezes em coisa alguma.
No fim das contas, Belém esteve em destaque pelo bem e pelo mal, como convém às cidades vivas. Apareceu no jornal, na rede social, na conversa de aeroporto. Fez bonito, fez feio, fez barulho. E seguiu sendo Belém: úmida, contraditória, intensa. Se Stanislaw e Sabino estivessem por aqui, talvez concordassem que o humor não resolve, mas ajuda a atravessar. E Belém atravessou 2025 assim: rindo quando dava, reclamando quando precisava — e aparecendo. Sempre aparecendo, para alegria do apaixonado paraense.